No 1º Fórum Pé na Estrada, transportadores relataram que as exigências impostas pelos embarcadores são numerosas. Além da cobrança por padrões e adequações, apontadas pelos empresários, o embarcador ainda não reconhece o motorista qualificado, o que tem provocado crescente desinteresse pela profissão.
O tema da falta de motoristas foi muito discutido por médios e grandes transportadores nesse encontro com o Pé na Estrada.
Porém, esses empresários entendem que tem problemas que estão acima deles; um é a falta de infraestrutura para carregar e descarregar.
Exigências de embarcadores e falta de valorização
Nesse encontro sobre a falta de motoristas, ficou claro para os transportadores que eles precisam ajudar os caminhoneiros na qualificação.
No entanto, como fazer isso sem investir, a conta não fecha, e a insatisfação acaba sendo alta na hora de remunerar bem o profissional qualificado.
Algumas transportadoras, que estão há muito tempo no mercado, dizem não ter dificuldades de remunerar bem o motorista, justamente por ter uma boa relação com seus clientes.
“Como é que você consegue pagar para algum motorista 16, 17, 15 ou 13 mil reais por mês? Como é que você consegue fazer isso? Essa é uma decisão minha. Negociar com o meu embarcador é a minha responsabilidade.”, explica Urubatan Helou, presidente da Braspress.
Embora outras transportadoras dizem oferecer boas oportunidades para os caminhoneiros, as exigências dos embarcadores e a falta de infraestrutura no carregamento e descarregamento são motivos que estão afastando os profissionais.
“Cada vez mais a gente coloca o motorista como um cartão de visita. Ele é a nossa voz ativa dentro da companhia. Mas de todo o conjunto da obra que envolve a questão do dia a dia do motorista, um exemplo, você vai no embarcador, é um aplicativo, você vai no outro embarcador, é outro, e assim as exigências vão mudando conforme o cliente.”, explica Sidnei Alves da Jomed Log.
“É um procedimento que ele tem que seguir dentro de um outro procedimento que ele tem que seguir. Você chegou lá para fazer o carregamento, a carreta está com dois, três centímetros fora do nível lá da doca. A Carreta é recusada. Então, é uma série de conjuntos que a gente olha hoje, além da questão da remuneração que se fala muito.”, finaliza Alves.
Falta de infraestrutura no embarcador contribui para o problema
Entre tantas questões que contribuem para esse “apagão logístico”, está a falta de infraestrutura no embarque e desembarque de cargas.
Fábio Muraro, da Muraro Logística, trabalha com o transporte de contêineres e relata exatamente esse problema, principalmente nos Portos.
“Não está mais sendo viável, porque a frota que encosta na doca para carregar não se paga. Eu dependo do caminhão da estrada para pagar esse que está parado ali na doca. Então como é que a gente faz se a demora ultrapassa seis horas para carregar e depois tem de pegar a estrada.”, explica Fábio Muraro.
Muraro ainda fala do motorista que fica horas, dias, até semanas nos portos, não tendo nem um sabonete para lavar a mão. O Pé na Estrada já mostrou como está a situação de motorista nos portos marítimos, onde os caminhoneiros não podem nem abrir a caixa cozinha e em alguns casos, nem descer do caminhão.
Quando a conta vai chegar para o embarcador?
A bomba está estourando no colo dos transportadores, alguns até conseguem passar a conta para o embarcador, mas ainda há muita resistência.
“Então o transportador, ele vai ser, infelizmente, ele acaba sendo o cara que vai receber com mais impacto esse problema da falta de motorista. Ele vai ser porque, ao mesmo tempo que ele precisa contratar o motorista e para contratar o motorista, ele vai ter que pagar uma remuneração maior, ele vai ter que criar programas de incentivo para esse cara.”, diz James Theodoro da Korsa Seguros.
“Queria transportar para ele ao invés de transportar para outro. Vai ter uma disputa entre os motoristas. Só que do outro lado o embarcador não vai querer remunerar ele de forma adequada. Como é que a gente resolve essa questão? Tem que chamar o embarcador, tem que ter uma conversa franca, aberta, tem que chamar o governo, tem que ter infraestrutura.”, finaliza Theodoro.
Veja também: A falta de motoristas em números

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.