É notório que a mobilidade elétrica vem crescendo no Brasil. Basta você analisar os números e perceber que o número de caminhão elétrico veio para ficar.
Vale dizer que essa crescente só não é maior porque a autonomia dos elétricos não é tão grande quanto a dos movidos a diesel.
Outro empecilho bom, se é que se pode dizer assim, é que na corrida pela descarbonização há soluções a hidrogênio e a biometano.
Tem caminhão elétrico no Brasil?
O primeiro caminhão elétrico a rodar no Brasil chegou em 2019, parceria da Agrale com a norte-americana Octillion.
Pouco depois, em 2021, a Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO) iniciou oficialmente a produção do e-Delivery, em Resende (RJ).
Esse foi o primeiro caminhão elétrico fabricado em série no Brasil e também o primeiro da América Latina, destinado principalmente a operações urbanas de distribuição.
No segmento dos pesados, a XCMG, fabricante de linha amarela sino-brasileira, iniciou a produção dos modelos.
Em seguida, a Volvo iniciou testes com um modelo FM Electric no país. O veículo foi apresentado a transportadores em diferentes regiões do país, a fim de coletar as primeiras impressões em aplicações tipicamente brasileiras.
O modelo é destinado para utilização em diferentes operações, desde o transporte de produtos industrializados, cargas refrigeradas, alimentos e bebidas, até bens de consumo e hortifrutigranjeiros.
Apesar das inúmeras opções, os caminhões elétricos estão mais restritos aos modelos urbanos, de última milha.
Em 2025, por exemplo, foram emplacados 240 caminhões elétricos, número baixo se comparado com os outros 80 mil caminhões vendidos.

Qual a autonomia de um caminhão elétrico?
No caso do Volvo FM Electric de 490 kW (660hp) e de PBTC (Peso Bruto Total Combinado) de até 44 toneladas, a autonomia é de até 300 km.
O carregamento pode ser feito em estações no pátio da própria transportadora e pode levar de 1h30 até 8h, dependendo da quantidade de baterias e do tipo de carregador.
No caso do XCMG E7-49, a autonomia é de 150 km e peso bruto total combinado de 49 toneladas.
Quantos quilômetros roda um caminhão elétrico?
Ao contrário dos modelos rodoviários, que precisam percorrer maior distância e lavar mais peso, os utilitários compactos e elétricos estão em alta.
Um VW e-Delivery de 190 kWh, por exemplo, consegue rodar 250 km, já um JAC E-J com capacidade para 3,5 toneladas consegue rodar até 230 km.
Por fim, o BYD eT5 7.200 promete autonomia de até 185 km e o BYD eT18 21.250, 165 km.
Qual é o valor de um caminhão elétrico?
Os caminhões rodoviários não têm um preço determinado, pois estão vinculados aos contratos com cada transportadora.
Existem situações em que eles estão emprestados para avaliação do cliente ou da própria fabricante.
Mas os preços dos caminhões elétricos urbanos têm valores de tabela sugeridos. O
JAC E-JT 12,5 começa em R$ 700 mil, já o menor, JAC E-J T 3,5 R$ 300 mil.
No caso do VW e-Delivery 11, o valor sugerido é de R$ 689 mil, enquanto o BYD eT5 7.200
é de R$ 589 mil.

Como funciona um caminhão elétrico?
Quando a China resolveu apostar nos elétricos, ela buscava reduzir a poluição do país, bem como tornar a mobilidade mais acessível.
Com isso, os motores a combustão e térmicos foram substituídos por simples eletroímãs, mais leves e que demandam menos tempo de manutenção.
O próximo passo foi investir em baterias inteligentes e modernas. Ou seja, mais duráveis e com autonomia equiparável.
Outra questão foi ampliar os ciclos, uma vez, que o tempo e duração dessas baterias não poderia ficar restrito a menos de 30 anos.
A solução deu certo. Um caminhão elétrico usa um motor menor e mais compacto no próprio local feito para o motor a combustão.

A energia da bateria movimenta os eixos que por sua vez movimenta os pneus. O carregamento pode ser feito em estações ultrarrápidas ou comuns, dependendo da estrutura da rede.
Um tempo de recarga total em rede comum demora cerca de 6h, já em carga rápida, 40 minutos.
Quanto custa carregar a bateria?
Para chegar ao valor, a marca considerou o preço médio do kWh (R$ 0,80), segundo a Aneel, e o preço médio da gasolina (R$ 6,17).
Com esses números, a equipe comparou o custo para abastecer um tanque de 55 litros do VW Polo (R$ 339,35) com o valor necessário para carregar totalmente a bateria do Volvo EX30 (R$ 55,20).
No caso dos caminhões, a conta segue a mesma lógica. O VW e-Delivery, que tem bateria de 190 kWh, custa cerca de R$ 152 para uma recarga completa, suficiente para percorrer aproximadamente 250 quilômetros. Isso equivale a um custo de R$ 0,61 por quilômetro rodado.
Já o VW Delivery 11.180 a diesel tem tanque de 150 litros. Com o preço médio do diesel S10 em R$ 6,00, encher o tanque sai por R$ 900.
Com consumo de 7,5 km/l (em condições rodoviárias ou de menor carga), a autonomia chega a 1.125 km, o que representa um custo de R$ 0,80 por quilômetro rodado.
Ou seja, considerando apenas o custo de energia, o e-Delivery já mostra vantagem frente ao modelo a diesel, embora este ainda ofereça maior autonomia e rapidez no reabastecimento.
Além disso, os elétricos carregam outros benefícios: menores impostos de circulação, ausência de restrições em zonas de baixa emissão e contribuição direta para a redução da poluição urbana.
Caminhão elétrico no Brasil vale a pena comprar?
Se você faz uma rota programada que vá atender as necessidades exigidas pelo cliente, vale muito a pena. Agora, se você é um caminhoneiro autônomo e que não está preso a rota determinas, talvez ainda seja cedo.
Os veículos elétricos são uma boa para quem tem redes disponíveis. A facilidade de encontrar diesel ainda é muito superior.
Tanto é que 99% dos caminhões e ônibus emplacados são a diesel e os outros, 1%, estão divididos em elétricos, híbridos e a gás.
O mercado brasileiro está amadurecendo, e o próprio sistema energético do país precisa ser renovado para abrigar a nova tecnologia.
Quais as vantagens e benefícios dos caminhões elétricos?
Os caminhões elétricos são silenciosos. Com isso, há maior conforto para o motorista. Outra vantagem é a emissão zero de poluentes.
Para empresas que têm a percurso fixa, os elétricos são viáveis no sentido de oferecer um menor custo e sem documentação com taxas elevadas.
Os modelos elétricos, por exemplo, não pagam IPVA em algumas cidades e estão isentos de rodízio, detalhes que podem baratear o custo operacional e o frete.
Quais são os modelos de caminhões elétricos no mercado?
1. Volkswagen e-Delivery
Capacidade: 11 t e 14 t
Autonomia: Até 250 km
2. JAC Motors iEV1200T
Fabricante: JAC Motors
Capacidade: 7,5 t
Autonomia: Até 200 km
3. BYD
Fabricante: BYD Brasil
Capacidade: Variada (modelos leves a pesados)
Autonomia: Mais de 200 km
4. Scania 30 G 4×2
Fabricante: Scania
Capacidade: Até 66 t (PBTC)
Autonomia: Não especificada
5. XCMG
Fabricante: XCMG
Modelos: E3-10T, E7-18T, E7-80T
Preços: A partir de R$ 450 mil
6. Iveco S-eWay Artic
Fabricante: Iveco
Capacidade: Não especificada
7. Mercedes-Benz eActros 600
Fabricante: Mercedes-Benz
Capacidade: Não especificada
Autonomia: 500 km
8. Volvo FH Aero Electric
Fabricante: Volvo
Capacidade: Até 48 t (PBTC)
Autonomia: Até 600 km
Conclusão
Em 2024, as vendas de caminhões elétricos no Brasil aumentaram 46,34%, com 480 unidades emplacadas, comparado a 328 em 2023.
A Volkswagen Caminhões, por exemplo, lidera o mercado com 49,17% de participação, seguida por BYD, JAC Motors, Scania e XCMG.
O mercado de caminhões elétricos no Brasil está em expansão, impulsionado por fatores como sustentabilidade, redução de custos operacionais e incentivos fiscais.
Por fim, a diversificação de modelos e a ampliação da infraestrutura de recarga são essenciais para consolidar essa transição no setor de transporte de cargas.

Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.