Sabe aquela história de que quanto mais velho o vinho, melhor ele fica? No universo do transporte de cargas, a comparação entre caminhoneiros novos e veteranos não se dá exatamente pelo critério de “melhor”, mas sim pela notável diferença na maneira de conduzir o veículo, um contraste que coloca em xeque a segurança e o respeito às normas de trânsito.
A reflexão surge a partir de um bate-papo com o instrutor Marcelo Rodrigues de Oliveira, Instrutor na Braspress. Segundo ele, a principal distinção entre as gerações está na utilização do GPS.
“O GPS veio para facilitar, mas, no fim, deixa a nossa mente muito preguiçosa. Eu vejo uma grande dificuldade dos motoristas novos em ter o hábito de ler as placas de sinalização”, explica o profissional.
Treinamento antigo para motoristas modernos
Para combater essa dependência eletrônica e reforçar a atenção primária, o instrutor adota uma atividade peculiar: ele ensina os motoristas a dirigirem sem a utilização de GPS e sem celulares de apoio.
“A nossa ideia é educar o motorista novo a se basear, primeiramente, por placas de sinalização. Não é que ele não possa usar eletrônicos, mas a sinalização das placas deve estar em primeiro lugar”, acrescenta.
Apesar de reconhecer que os recursos tecnológicos facilitam a vida, o instrutor argumenta que eles acabam deixando a mente “preguiçosa”. No treinamento inicial, ele propõe um percurso onde o motorista deve se deslocar apenas pela orientação das placas, forçando o desenvolvimento do senso de orientação e a leitura ativa da via.
Reportagem de TV sobre GPS
A tecnologia substituiu os tradicionais mapas de papel e os aplicativos de navegação passaram a ser indispensáveis, facilitando a vida dos motoristas. Mas para os caminhoneiros, nem sempre essas ferramentas indicam a melhor rota.
Vícios mais comuns: Mão única e má Postura
Curiosamente, existe um ponto em que novatos e veteranos se igualam: o hábito de dirigir com apenas uma mão no volante. Além desse, outro ponto recorrente é a má postura na condução, um problema que afeta diretamente a segurança e a saúde do profissional.
“Isso envolve a segurança do motorista na hora de uma ação mais rápida e a saúde. Afinal, por conta de coluna ou apoio equivocado, a chance de lesões cresce”, alerta o especialista.
O alerta crucial sobre a seta
Outro ponto que exige correção constante é o uso equivocado da seta. O instrutor é enfático: “A seta é o manifesto da sua vontade ou intenção de entrar em uma via. Logo, isso não te dá o direito de entrar numa via só porque a indicação está acesa”.
Ele explica que a sugestão é dar a seta, olhar nos espelhos, verificar se houve a concessão de passagem e, só depois, adentrar na via. “Ela não é um instrumento que te dá o direito de entrar na frente de qualquer um. Deixo isso muito claro durante toda a imersão”, conclui.
A questão legal: Dirigir com apenas uma Mão
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é taxativo quanto ao risco de dirigir com apenas uma mão no volante. A prática é uma infração de natureza média, que acarreta multa no valor de R$ 130,16 e a adição de 4 pontos à CNH (Artigo 252, V).
A lei só abre exceção para o uso de uma das mãos quando o motorista precisa, brevemente, mudar a marcha, fazer sinais de braço ou acionar algum equipamento do carro.
Entenda por que duas mãos são essenciais
Mais do que uma regra, a exigência das duas mãos (idealmente nas posições “9h e 3h” do relógio) é uma medida de segurança fundamental. Essa postura garante ao condutor o controle total e a máxima eficiência direcional. Em uma emergência — seja para desviar de um obstáculo, corrigir a trajetória após um pneu furado, ou evitar uma colisão súbita —, o tempo de reação é crucial. Apenas uma mão é insuficiente para aplicar a força e a rapidez necessárias para girar o volante com eficácia, comprometendo o controle do veículo e elevando drasticamente o risco de acidentes.
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Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.