No final do último semestre, transportadores que operam conjuntos de 5, 6 e até 7 eixos demonstravam insatisfação com a forma como vinha sendo aplicada a Tabela de Piso Mínimo de Frete. Isso porque, nesse modelo, as empresas passaram a dar preferência às combinações de 9 eixos. Na atualização da tabela deste semestre, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) decidiu rever a metodologia da Resolução n.º 5.867/2020.
Com a modernização dos coeficientes utilizados no cálculo do frete mínimo por quilômetro rodado, a ANTT teve como objetivo reduzir as desvantagens de veículos como bitrens, LS, Vanderleias e até conjuntos com quarto eixo, frente às combinações de 9 eixos.
Essa revisão metodológica resultou na nova tabela prevista na Resolução n.º 6.076. Os novos valores passam a vigorar de janeiro a julho de 2026 no Transporte Rodoviário de Cargas no Brasil.
Nova tabela de frete reduziu a vantagem dos 9 eixos?
Com a tabela de julho de 2025, de fato, houve uma preferência do mercado pela contratação de conjuntos maiores. Isso porque, no valor da tonelada transportada, esses veículos conseguem levar mais carga por um frete proporcionalmente menor.
Diante desse cenário, o Pé na Estrada resolveu colocar a conta “na ponta do lápis”, como fazem as transportadoras no momento de escolher uma combinação veicular. Na simulação, foi utilizada a Tabela A, que representa a operação de carga lotação com conjuntos completos ou caminhão simples. Também foi considerado o tipo de carga granel sólido e uma distância de 800 quilômetros, para representar uma situação comum no setor do agronegócio, o segmento mais impactado.
Observações das últimas tabelas de frete
As análises consideraram as últimas tabelas publicadas pela ANTT: janeiro de 2026, julho e maio de 2025 e julho de 2024. Como a tabela de janeiro de 2025 teve reajuste idêntico à de maio, o PNE utilizou, para efeito de comparação, a de julho de 2024.
Considerando que uma combinação de 6 eixos transporta, em média, 33 toneladas de carga útil, a de 7 eixos cerca de 38 toneladas e a de 9 eixos, aproximadamente, 54 toneladas, o valor por tonelada da combinação de 6 eixos ficava em torno de 24,61% maior do que o dos 9 eixos. Já nos veículos de 7 eixos, a diferença chegava a aproximadamente 26,72%.

Na prática, o valor por tonelada dos veículos de 6 eixos era de R$ 168,29 em maio de 2025. Nos de 7 eixos, R$ 171,13, enquanto nas combinações de 9 eixos o custo ficava em torno de R$ 135,05.
Com a tabela de julho, porém, a diferença dos 6 eixos saltou para quase 33,88%, tornando essa combinação ainda menos competitiva frente aos 9 eixos.
Mudança para a nova tabela de 2026
Após as reclamações do setor, a ANTT abriu uma Audiência Pública e alterou a metodologia de cálculo, tornando as demais combinações um pouco mais competitivas em relação aos conjuntos de 9 eixos.

Os veículos de 7 eixos, por exemplo, passaram a apresentar um valor de 24,59% superior ao dos 9 eixos, enquanto os de 6 eixos ficaram 29,63% acima. Embora essa diferença seja menor do que a observada na tabela anterior, ainda permanece acima dos níveis praticados até junho do ano passado.

Nesse novo cenário, o valor por tonelada passou a ser de R$ 177,70 para os veículos de 7 eixos. Para as combinações de 6 eixos, ficou de R$ 184,89, frente aos R$ 142,63 das carretas de 9 eixos nesse tipo de operação.
Por que o valor por tonelada dos 9 eixos é mais barato?
O mercado projetou as combinações de 9 eixos justamente para reduzir o custo por tonelada transportada — o conhecido conceito do “leve mais e pague menos”. Sob esse aspecto, o cálculo da ANTT faz sentido. O problema é que, com o cumprimento mais rigoroso da tabela, essa diferença passou a pesar significativamente.
As reclamações estão concentradas principalmente no setor do agronegócio, enquanto outros segmentos do transporte não têm apresentado o mesmo nível de insatisfação.
Para quem ainda tem dúvidas sobre as mudanças e quer saber qual é o frete mínimo a ser cobrado com base na tabela mais recente, o Pé na Estrada disponibiliza uma calculadora de frete em nosso site. Vale a pena conferir.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.