O preço do frete no transporte rodoviário de cargas fechou 2025 com reajuste de 19% em relação ao mesmo período de 2024. O valor atingiu R$ 0,422 por tonelada por quilômetro rodado no 4º trimestre de 2025, segundo dados do Índice Frete.com de Preços (IFP).
No entanto, o que pode gerar questionamentos por parte do transportador — principalmente o autônomo — é para onde está indo esse aumento. Confira o que revela a pesquisa sobre um ano que, inclusive, foi fraco na venda de caminhões.
Fiscalização e Tabela de Piso Mínimo de Frete são apontadas como causas
O relatório aponta que o mercado passou por um ponto de inflexão, com forte aceleração e avanço de 9,65% apenas no mês de outubro, impulsionado pelo maior rigor na fiscalização do MDF-e, e pela atualização da Tabela de Piso Mínimo de Frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

Esses fatores criaram um piso regulatório mais rígido, reduziram a flexibilidade para quedas de preços e contribuíram para a elevação sustentada no trimestre.
Pé na Estrada chegou a comparar a tabela atual com as versões publicadas anteriormente. A principal queixa dos caminhoneiros era a preferência das transportadoras e embarcadores por conjuntos de 9 eixos, deixando de lado combinações de 5, 6 e 7 eixos.
Veja aqui por que isso aconteceu e se a ANTT conseguiu reduzir as vantagens dos conjuntos de 9 eixos.
Escassez de caminhões em rotas do agronegócio amplia pressão
A pressão também esteve ligada ao desequilíbrio entre oferta e demanda, especialmente nos corredores logísticos do agronegócio. Estados como São Paulo (4,35 cargas por caminhão), Rio Grande do Sul (3,85) e Mato Grosso (3,65) registraram níveis críticos de ocupação da frota. O que indica uma escassez relativa de caminhões e aumenta o poder de negociação dos transportadores nessas regiões-chave de escoamento agrícola.

Segundo a Frete.com, empresa responsável pelo relatório, as rotas de alto fluxo do Centro-Oeste para portos do Sul e Sudeste exibiram as maiores altas na comparação anual. Para a companhia, isso indica que a demanda concentrada no agronegócio foi determinante para a valorização do frete no período.
Mudança estrutural: volume recua, mas preço sobe
Embora 2025 tenha apresentado redução no volume total de fretes em diversas regiões, o preço manteve trajetória de alta. O IFP destaca que o mercado viveu uma mudança estrutural: mesmo em trimestres de maior volume, como o 3º trimestre, os preços permaneceram acima dos patamares de 2024, demonstrando que a pressão não se restringiu à sazonalidade típica do setor.

Frete se descola do preço do diesel
Outro elemento relevante foi o descolamento entre o preço do diesel e o valor do frete no curto prazo. Em diferentes períodos de 2024 e 2025, o frete subiu mesmo sem pressão significativa do combustível. Essas evidências demonstram que fatores como oferta, demanda, sazonalidade agrícola e restrições operacionais passaram a desempenhar papel mais relevante na formação de preços.
Carrocerias graneleiras lideram a alta
Entre os tipos de caminhão, o graneleiro foi o que mais se valorizou, acumulando alta de 17,5% no período, reflexo direto da forte demanda nas rotas do agronegócio. Outras carrocerias, como baú, grade baixa e sider, também registraram aumentos relevantes, entre 6% e 12%, reforçando que a pressão de preços foi ampla e consistente em diversos perfis de carga.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.