Dia 2 de junho foi um dia de alegria para nove transportadoras que aceitaram o desafio da Volvo de investir em segurança no trânsito. Foi nesse dia que elas receberam suas certificações e homenagens da montadora por terem feito parte da segunda turma do Desafio Zero Acidentes Volvo. Quem foram essas empresas e o que mudou com o desafio?
Proposta do desafio
Como o próprio nome já diz, a proposta é que as empresas alcancem a marca de Zero acidente grave, o que inclui sinistros com mortes ou invalidades. Para alcançar esse objetivo, as empresas participantes passam inicialmente por um diagnóstico técnico para avaliação do nível de maturidade de suas operações em segurança viária. Considerando esse levantamento, são desenvolvidos planos de ação e atividades práticas aplicadas continuamente ao longo do curso, que conta com cerca de 120 horas de capacitação por empresa.
O acompanhamento ainda oferece mentoria para que as empresas se certifiquem com o ISO 39001, que é específico para gestão da segurança rodoviária. Das nove transportadoras que participaram dessa edição, todas conseguiram resultados expressivos e cinco conseguiram a certificação ISO 39001.
As participantes e os critérios
Participaram da segunda edição do Desafio Zero Acidentes as transportadoras: Grupo Tombini, Transportadora Peregrina, Transparaná, Transportadora Pra Frente Brasil, Grupo Amaggi, Transportadora Contatto, Coamo Agroindustrial Cooperativa, Expresso Nepomuceno e Ibor Transporte. Juntas, essas transportadoras reúnem quase 7 mil caminhões, mais de 8 mil motoristas e rodam 51 milhões de quilômetros por mês. Ou seja, o benefício de motoristas e veículos mais preparados para essa segurança beneficia todos que encontram esses caminhões por todos esses kms percorridos.
Os critérios definidos para acompanhar a evolução dessas empresas foram:
1 – Acidentes por milhão de km rodados
2 – Acidentes graves totais
3 – Programas de conscientização
4 – Custos com sinistros por milhão de km rodados
5 – Velocidade de condução (picos por km)
6 – Velocidade de condução (picos por motorista)
7 – Jornada de condução
8 – Cumprimento da manutenção preventiva total
9 – Nível de conformidade do check-list de segurança dos veículos
10 – Custos de sinistros por grupo de 100 conjuntos (cavalo + semirreboque)
Só de ver os critérios, você já consegue avaliar se a sua empresa está atenta aos principais indicadores. Mas como será que foi a evolução das participantes?
Os resultados
O conjunto das nove transportadoras conseguiu melhorar em 39% o nível de maturidade em relação a gestão da segurança viária. Se no começo do projeto esse índice era de 59%, ele passou para 82% ao final, ou seja, mais gente consciente, mais processos e maior chance de bons resultados.
Outro nível importante com crescimento expressivo foi o de Motoristas Conscientizados, que começou em 55% e terminou em 82%. Além disso, se o cumprimento da manutenção preventiva era de 73%, esse índice alcançou 84% ao final do desafio. Em outras palavras, mais veículo com a manutenção em dia é sinônimo de menos problemas técnicos no caminho e menor chance de sinistros decorrentes deles.
E o número mais importantes de todos, a queda no número de sinistros graves, aqueles que envolvem mortes ou incapacitações. O número absoluto no primeiro trimestre do programa foi de 7, caindo para 6 nos dois trimestres seguintes e chegando em 3 ao final. Ainda não é Zero, mas já é uma redução de 57% e são 4 vidas não perdidas, 4 famílias não traumatizadas.
Resultados individuais
Os resultados individuais de cada transportadora também precisam ser mencionados.
A Amaggi, por exemplo, se destacou por já entrar no programa com zero acidente e uma alta taxa de conscientização de seus funcionários (85%, 3 pp acima da média final) e manter esse resultado.
A Coamo teve 20% de redução de acidentes graves e 31% de redução de custos ligados à acidentes. Com isso, a empresa foi destaque no ganho financeiro associado à segurança, mostrando que segurança é lucrativa.
A Contatto eliminou os acidentes graves teve uma melhora de 130% na conscientização de seus colaboradores a cerca do tema.
“A gente realmente está tendo resultado. Nosso time é engajado e o foco é preservar vidas.” Marcelo Contatto – diretor Transportadora Contatto
A Ibor reduziu em 33% o índice de acidentes graves e em 28% os custos com sinistros, isso decorrente de um aumento de 153% na conscientização da equipe.
A Expresso Nepomuceno baixou em 38% os eventos de picos de velocidade e manteve o nível de manutenção acima dos 90%.
A Peregrina conseguiu reduzir o nível de acidentes graves em 20% e conseguiu a marca de -97% de custos com sinistros.
A Pra Frente Brasil também teve números muito fortes: 28% de queda nos custos com sinistros, 100% de nível alto de conscientização dos colaboradores e 100% de redução nos acidentes graves.
“Em decorrência dessa conscientização a gente baixa o custo de manutenção e reduz o custo de combustível, que é nosso principal custo hoje. Eu acho normal as empresas não quererem aceitar esse desafio no começo, mas lá na frente surte efeito.” Jefferson Zini – diretor operacional Grupo Pra Frente Brasil
O Grupo Tombini também zerou os acidentes graves e chegou à marca de 100% de maturidade de conscientização.
“Através de nossas decisões e escolhas que podemos mudar a vida das pessoas e ter nossos motoristas voltando seguros pra casa” Wilker Lytiery – Gestor Grupo Tombini
E a Transparaná alcançou 100% no indicador de manutenção e chegou também à marca de Zero Acidente.
“Focar apenas na ‘produtividade’ não vale a pena. A segurança vai trazer para você a consolidação de seus contratos.” Guilherme Vedovato – diretor corporativo Transparaná.
Conclusão
Como foi possível ver em diversos casos individuais e também no grupo como um todo, a segurança viária não apenas cuida das vidas ligadas à transportadora, ela não apenas mostra a preocupação com seus colaboradores e com a sociedade, ela ainda entrega ganhos financeiros no fim das contas, pois os custos com acidentes, multas, manutenção, consumo e outros acabam caindo, levando a segurança do trânsito a um patamar não apenas social, mas de manutenção da lucratividade de uma empresa.
Em tempo, a próxima turma do programa será focada em empresas de ônibus. E se você tem interesse em participar de outras edições do Desafio Zero Acidentes, entre em contato diretamente com a Volvo.

Jornalista especializada em transporte comercial há mais de 15 anos.
Repórter do programa Pé na Estrada na TV (hoje no SBT) e coapresentadora do programa no Rádio (hoje na Massa FM). Mais de 300 mil seguidores nas redes sociais (Instagram + Tik Tok) onde fala de segurança e legislação de trânsito. Autora do livro “E se eles sumirem?” e palestrante de segurança no trânsito.