Dizem que, no Brasil, o ano só começa mesmo depois do carnaval. Bom, então agora já é hora. Nos dois meses que já se foram, muito se falou sobre expectativas para 2026, e agora que o ano deve começar mesmo, o que esperar dele?
“Se tem uma certeza para 2026 é que teremos um ano de desafios”- Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus
Selic alta
O grande vilão de 2025 foi a taxa de juros oficial do Brasil, a Selic. Mantida em patamares altos o ano todo, ela dificultou financiamentos, encareceu o crédito e acabou fazendo com que muita gente postergasse compras. Não é à toa que a produção de caminhões fechou o ano com queda de mais de 12%.
Se a Selic fechou 2026 em 15%, essa não é a expectativa para 2026. Espera-se que ela baixe nas próximas reuniões do Copom, o comitê do Banco Central que define essa taxa. Mas vai baixar quanto? Não menos que 12%. Pelo menos é o que prevê o mercado. Ou seja, vai facilitar, mas não vai resolver o problema do crédito, que seguirá sendo caro este ano.
Eleições e copa do mundo
Outro ponto a se levar em consideração é que estamos em ano de eleições para os cargos maiores, ou seja, provavelmente haverá uma corrida para executar, comprar e votar matérias no primeiro semestre. Já no segundo, os políticos estarão focados em fazer campanha e também a própria legislação proíbe diversas ações em época de eleição. O que leva o mercado a acreditar que, o que não acontecer até junho, vai ficar só para 2027. Ainda mais que este também é um ano de copa e aí o povo esquece de qualquer outro assunto. A população cobra menos, porque está ocupada vendo jogo. A imprensa investiga e expõe menos, porque está preocupada em transmitir jogo. E sem pressão, os políticos têm mais um incentivo para focar na campanha.
Agro e Move Brasil
Para aquecer as vendas de caminhões, o programa Move Brasil deve movimentar até R$ 10 bilhões no primeiro semestre. O programa ainda tem muita dificuldade de chegar aos pequenos transportadores e autônomos, mas ajuda médias empresas a trocarem frota e grandes empresas a aumentarem as suas. Além disso, o agronegócio deve bater novos recordes nesta safra, o que estimula a venda de caminhões.
Considerando essas duas variáveis, a indústria espera que elas compensem a Selic alta e outros fatores negativos, gerando uma expectativa de estabilidade ou até pequeno crescimento da produção e venda de caminhões esse ano.
Falta de motorista
Esse problema não deve mudar em 2026, com mais profissionais deixando a profissão e menos entrando. As iniciativas para tentar resolver a questão devem se multiplicar. Uma forma é a capacitação desse caminhoneiro, como nós mesmos do Pé na Estrada propomos em nossa Imersão presencial e nosso curso online Caminhoneiro que Lucra. Os dois buscam dar ao motorista condições de chegar às melhores oportunidades desse mercado.
Pelo lado das transportadoras, melhor remuneração em condições de trabalho serão os desafios. O embarcador não deve despertar milagrosamente para esse problema em 2026, mas com certeza será mais pressionado, principalmente pelos transportadores, para fazer a sua parte na resolução da questão, como melhorando contratos e melhorando também a infraestrutura que oferece aos caminhoneiros em suas dependências.
E o PIB brasileiro, cresce?
O mercado projeta que o PIB, o Produto Interno Bruto, cresça em torno de 1,8% este ano. Um crescimento tímido perto de anos passados. Entretanto, esse tal “mercado” que faz a previsão não tem acertado muito nos últimos anos.
Um levantamento do UOL mostrou que esse “mercado” tem errado suas previsões de PIB todos os anos desde 2021. Então, a expectativa é essa, mas só saberemos mesmo na prática.
Resumindo
Não vai ser um ano de vacas gordas, mas também não deve ser um ano perdido, um ano de caos. Então, ter planejamento e controle do seu negócio, seja você de que tamanho for, será um grande diferencial em 2026.
E agora que já limpamos a purpurina e tiramos a fantasia, um bom ano pra todos!

Jornalista especializada em transporte comercial há mais de 15 anos.
Repórter do programa Pé na Estrada na TV (hoje no SBT) e coapresentadora do programa no Rádio (hoje na Massa FM). Mais de 300 mil seguidores nas redes sociais (Instagram + Tik Tok) onde fala de segurança e legislação de trânsito. Autora do livro “E se eles sumirem?” e palestrante de segurança no trânsito.