A Petrobras já declarou publicamente que está preparada para atingir, futuramente, o nível de 25% na mistura do biodiesel no diesel. A estatal também destaca que é “capaz de fornecer um diesel com conteúdo vegetal, estável, perfeito em termos de estrutura”.
Segundo dados apurados pelo Gasola by nstech, entre 2020 e 2025, o preço do diesel no Brasil teve um aumento expressivo. No período, o litro do diesel subiu cerca de R$ 2,19, uma variação próxima de 57%. Já o biodiesel teve uma alta maior, de quase 98%. Além disso, a mistura obrigatória também aumentou: em 2020, o percentual médio era de 12%, e hoje está em 15%.
De acordo com Vitor Sabag, especialista em combustível do Gasola, o biodiesel tem um custo por litro superior ao do diesel comum vendido pela Petrobras, por isso, é natural que esse aumento proporcional acabe influenciando as bombas.
Efeito dominó: Alta do biodiesel pressiona preço do diesel
O litro do diesel B S-10 gira em torno de R$ 6,07, segundo dados da Petrobras. Mas de onde vem esse preço? O valor final do diesel é composto pela soma de várias camadas:
• preço do diesel fóssil (diesel A) produzido nas refinarias;
• parcela de biodiesel que compõe a mistura (hoje, 14%);
• margens de distribuidoras e postos;
• impostos;
• custos logísticos.
Só a parte do biodiesel já representa aproximadamente R$ 1,12 do preço atual do litro. E aí começa a história de por que o diesel subiu tanto em certos períodos e caiu em outros.

Efeito Montanha-Russa: biodiesel nas alturas
Entre fevereiro de 2020 e junho de 2022, por exemplo, os preços do diesel e do biodiesel dispararam. Foi um período tenso marcado por pandemia, câmbio volátil, petróleo caro e pressão no mercado de óleos vegetais, a base do biodiesel.
Nesse intervalo, o biodiesel chegou a custar em média R$ 2,17/l a mais que o próprio diesel A refinado, segundo a ANP. Em setembro de 2020, essa diferença chegou a R$ 3,70/l. O pico veio em maio de 2022, quando o biodiesel tocou R$ 7,30/l, enquanto o diesel A alcançou R$ 5,62/l em julho do mesmo ano.
Efeito Borboleta: biodiesel começa a estabilizar
Depois desses recordes, ambos os combustíveis começaram a recuar. Entre julho de 2022 e junho de 2023, o mercado esfriou. O biodiesel caiu até R$ 3,95/l e o diesel A chegou a R$ 3,06/l no fundo do período, uma diferença expressiva em relação aos picos anteriores.
A distância entre os dois combustíveis também diminuiu: a diferença média recuou para R$ 0,84/l, sinalizando menor pressão de custos para a cadeia.
A trégua, porém, durou pouco. Depois do segundo semestre de 2023, o biodiesel voltou a subir gradualmente, pressionado por custos de matéria-prima e maior demanda. No final de 2024, o movimento se intensificou: o preço de produção do biodiesel passou a superar o valor de revenda do diesel B em alguns meses.
Preço atual do biodiesel em 2025
Em novembro de 2024, por exemplo, o biodiesel médio estava em R$ 6,26/l, acima dos R$ 6,05/l do diesel B nas bombas. Isso gerou novo aperto nas margens de distribuidoras e postos, que não conseguem repassar todo o aumento ao consumidor.
Em 2025, o diesel segue pressionado: em fevereiro, o S-10 chegou a R$ 6,44/l, segundo a ANP, movimento influenciado por reajustes da Petrobras, pelo ICMS e pela parcela de biodiesel, que segue em patamar elevado.
Ao mesmo tempo, o governo decidiu manter a mistura obrigatória em 14% neste ano, evitando novos aumentos automáticos. Mas o custo estrutural do biodiesel segue elevado, o que deixa a cadeia sensível a qualquer oscilação adicional no mercado de óleos vegetais.
Conclusão para lidar com a oscilação do diesel
O comportamento recente mostra que o preço do diesel e do biodiesel é resultado de uma combinação complexa de fatores domésticos e globais. Se o petróleo se mantiver estável e o câmbio não avançar, o diesel pode seguir estável. Mas qualquer pressão no mercado de óleos vegetais ou eventual revisão da mistura obrigatória pode alterar o cenário.
Para transportadoras, agricultores e todo o setor de logística, entender essa dinâmica é essencial, não apenas para gerenciar custos, mas para planejar o futuro em um país onde mais de 60% de tudo o que circula depende diretamente do diesel.

Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.