quarta-feira, janeiro 28, 2026

Crise dos chips ameaça produção de caminhões no Brasil

MercadoCrise dos chips ameaça produção de caminhões no Brasil

Parece mentira, mas outra vez, a produção de caminhões no Brasil está prestes a enfrentar mais uma crise dos chips, semicondutores. O governo se reuniu com representantes do setor automotivo nacional para discutir soluções para a crise de semicondutores que atinge o Brasil e o mundo.
Isso tudo está acontecendo novamente porque, recentemente, o governo holandês assumiu o controle da fabricante de chips Nexperia, alegando preocupações com a propriedade intelectual. Após a decisão, o país asiático passou a restringir a exportação de chips e semicondutores para diversos países.

Brasil enfrenta mais uma vez a crise dos semicondutores

Governo brasileiro pediu para a China para excluir o Brasil do embargo comercial de microchips. A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) e a Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) pediram diálogo envolvendo a produção de semicondutores.

O setor automotivo corresponde a 20% da indústria de transformação, e sua paralisação pode impactar diretamente 130 mil empregos e 1,3 milhão de empregos indiretos no país.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) destacou a dificuldade de substituir fornecedores de semicondutores no curto prazo. A produção, por exemplo, varia conforme o tamanho e a função dos chips, e poucos países têm capacidade tecnológica para atender rapidamente à demanda do Brasil.

O que Anfavea disse sobre a crise dos semicondutores

A Anfavea já vinha alertando que o setor automotivo está em uma iminente crise de fornecimento de chips. Segundo a entidade, a escassez de semicondutores pode afetar operações fabris em questão de semanas, incluindo veículos leves, pesados e máquinas.

Ou seja, os semicondutores são materiais capazes de controlar o fluxo de corrente elétrica, propriedade que permite seu uso na fabricação de chips, processadores e sensores. Compostos principalmente de silício, esses dispositivos atuam como interruptores e amplificadores em circuitos eletrônicos, regulando sinais e executando cálculos em alta velocidade.

Nos veículos, eles estão presentes em módulos de controle eletrônico (ECUs), responsáveis por monitorar e ajustar em tempo real o funcionamento do motor, transmissão, sistemas de freio, airbag, direção elétrica, climatização e recursos de conectividade.

Cada ECU pode conter dezenas de microcontroladores e transistores que dependem de semicondutores de diferentes tamanhos e arquiteturas.

A complexidade aumenta com a eletrificação: veículos híbridos e elétricos utilizam semicondutores de potência, capazes de converter e gerenciar grandes fluxos de energia entre baterias e motores.

Por depender de processos de fabricação altamente sofisticados e concentrados em poucos países, a cadeia global de semicondutores é vulnerável.

Ou seja, qualquer interrupção na produção impacta diretamente as montadoras, que não conseguem operar sem esses componentes essenciais para o controle eletrônico dos veículos modernos.

Como os caminhões podem ser afetados?

Um caminhão moderno utiliza milhares de chips diferentes. Se um semicondutor estiver faltando, o caminhão não é finalizado e fica na linha de montagem.

“Esse tema é preocupante porque a China, principal exportadora desses componentes para o Brasil, interrompeu as exportações não apenas para o nosso país, mas para o mundo inteiro, em razão de um impasse com a Holanda e a Europa. Essa paralisação impacta diretamente a produção brasileira e pode afetar as montadoras instaladas aqui”, explicou o presidente do Sindicato dos Metalurgicos do ABC, Moisés Selerges.

Veja também: Recorde de caminhões e falta de semicondutores marcam primeiro semestre da indústria automobilística em 2021

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