Caminhoneiros que organizavam uma greve no Porto de Santos por cobranças abusivas nas tarifas de acesso ao pátio regulador suspenderam a paralisação. O Sindicato dos Transportadores Rodoviários Autônomos de Carga a Granel de Guarujá (SINDGRAN), responsável pela mobilização, chegou a um entendimento, por ora, com a Autoridade Portuária de Santos (APS), em Cubatão, na manhã desta quarta-feira.
Segundo o presidente do sindicato, José Cavalcanti, não há uma definição clara sobre a cobrança para acesso ao porto.
“O que era para ser entre R$ 57 e R$ 60 nas primeiras seis horas, tem caminhoneiro que acaba pagando R$ 1.450, até R$ 1.570 em 48h de permanência. Então, não existe um critério de valor.”
Greve no Porto de Santos ainda pode acontecer?
A mobilização dos caminhoneiros que transportam cargas a granel não está totalmente cancelada, segundo o presidente do SINDGRAN. Isso porque ainda não houve esclarecimento sobre as regras de cobrança aplicadas aos motoristas.
Os valores considerados abusivos pela categoria não condizem com a norma NAP SUPOP.OPR.016/2024, da Autoridade Portuária de Santos (APS), publicada em março de 2024. A norma regula o agendamento e a obrigatoriedade do uso de pátios reguladores para caminhões que transportam cargas destinadas ao Porto de Santos.
A regra determina que os caminhões devem passar pelos pátios reguladores antes de acessar as operações portuárias, com o objetivo de organizar o fluxo de veículos e reduzir o congestionamento nas vias urbanas. No entanto, não há definição clara sobre a cobrança de acesso nem previsão de punição para casos de cobrança abusiva.
Essa brecha permite que os pátios reguladores pratiquem preços elevados, enquanto muitos caminhoneiros chegam a permanecer dias aguardando para carregar ou descarregar, muitas vezes sem infraestrutura adequada para esse período.
Segundo o SINDGRAN, novas reuniões devem ocorrer com a participação de transportadoras, sindicatos, terminais portuários, pátios reguladores e representantes do poder público.
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