O mercado de vendas de caminhões mostrou reação mensal positiva, com alta de 9% sobre setembro, o que indica algum fôlego no ano. No entanto, o setor continua em retração no comparativo anual, com queda de 11,6% frente a outubro de 2024 e de 8% no acumulado. Isso sugere que a demanda por transporte de cargas pesadas segue moderada, refletindo possivelmente a desaceleração de segmentos econômicos ligados ao agronegócio e à construção.
Os números são da Fenabrave – Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores. Só em outubro foram emplacados 10.462 caminhões, 2.419 ônibus e 6.470 implementos.
Mercado de pesados recupera, mas abaixo de 2024
Já no cenário do segmento de ônibus o desempenho mensal foi fraco em relação a 2024, com uma queda expressiva de quase 23% frente ao mesmo mês do ano passado. No entanto, o acumulado do ano mostra leve crescimento (+3,9%), indicando que o setor mantém estabilidade no longo prazo.
No segmento de implementos rodoviários também há queda acentuada. Apesar de um avanço de quase 9% sobre setembro, o volume ainda é 16% menor que outubro de 2024 e quase 20% inferior no acumulado do ano. O desempenho fraco acompanha a retração do mercado de caminhões, já que ambos estão diretamente relacionados. O resultado aponta para menor renovação e investimento em frota pesada, reflexo de um ambiente econômico mais cauteloso.
Caminhões
- Acumulado 2025: 92.317 unidades (– 8,04%)
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Acumulado 2024: 100.390 unidades
Ônibus
- Acumulado 2025: 23.659 unidades (+3,90%)
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Acumulado 2024: 22.770 unidades
Implementos
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Acumulado 2025: 60.168 unidades (– 19,94%)
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Acumulado 2024: 75.158 unidades
Projeções de vedas para 2025
Para os caminhões, as estimativas iniciais apontavam para alta de 4,5%, com 127,6 mil unidades. No entanto, a demanda arrefeceu e, nas projeções mais recentes, o volume esperado caiu para 113,5 mil unidades, o que representa retração de 7% em relação a 2024.
O segmento de ônibus mostra estabilidade e leve expansão. A previsão de 29,3 mil unidades para 2025 se mantém desde o início do ano, indicando crescimento de 6% sobre o resultado anterior.
Já o setor de implementos rodoviários apresenta a pior revisão entre os três. A projeção inicial, de 93 mil unidades (+5%), foi reduzida para 70,9 mil, o que implica queda de 20% frente a 2024. O recuo sinaliza desaceleração nas atividades de transporte de carga e menor ritmo de renovação nas frotas de reboques e semirreboques.
Raio-x do mercado de caminhões
Na semana passada, o Pé na Estrada fez uma reportagem sobre a mudança que o mercado brasileiro de caminhões vem mostrando, com destaque para um crescimento mais acentuado dos segmentos de caminhões leves e médios.
Um dos vetores desse movimento está ligado ao custo operacional e ao perfil da carga transportada. Outro aspecto relevante é a estrutura do mercado e das frotas. Transportadoras que atuam em nichos de entrega, distribuição regional ou logística com rotas intermunicipais — que exigem flexibilidade mais do que potência máxima — acabam optando por modelos médios porque estes se adaptam melhor à operação.
Em síntese, a mudança ou reforço da preferência por caminhões médios ocorre porque o modelo de negócio de transporte no Brasil está se diversificando: não é mais apenas o frete de longa distância e grandes volumes que motiva a compra de caminhões, mas também a logística de proximidade, distribuição ágil, rotas urbanas e regionais.
Nesse contexto, o caminhão pesado continua sendo essencial para determinadas operações, mas não representa mais a única ou mesmo principal porta de entrada para muitas empresas, e por isso modelos médios ganham espaço, por oferecerem melhor reciclagem do capital, custo operacional mais baixo e maior adequação à realidade de muitas rotas.

Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.