A Volvo fez nesta quarta-feira, dia 11, seu tradicional almoço com a imprensa para mostrar como foi 2025 para a marca e o que espera de 2026. Outras marcas já tinham afirmado que será um ano desafiador e a Volvo reforça esse pensamento. A montadora sueca trabalha com uma perspectiva de retração do mercado em todo de 5 a 10% frente ao que foi comercializado ano passado. Apesar do mercado em queda, a empresa anunciou alta no investimento na América Latina, com um aporte de R$ 2,5 bilhões entre 2026 e 2028 para melhoria de produtos, fábrica, rede e outros serviços.
Mercado de caminhões
Apesar da queda do mercado em 2025, o ano foi satisfatório para a Volvo. A marca teve mais de 20 mil unidades vendidas e manutenção ou até ganho de mercado em alguns segmentos. Inclusive, pelo 7º ano consecutivo, o FH540 foi o caminhão pesado mais vendido do Brasil, com 5.403 unidades.
Para 2026, a montadora promete uma melhora de eficiência com a I-Torque, uma inteligência artificial que atua no conjunto motor + caixa, entregando um torque variável de acordo com a leitura da topografia, pressão no pedal do acelerador e outras variáveis que adaptam o torque para a necessidade correta e, com isso, segundo a marca, é possível conseguir uma economia de até 3% no consumo de combustível.
Itens de segurança também entram na linha em 2026, fazendo vínculo com a campanha Zero Acidentes que marca já desenvolve há alguns anos com seus clientes.
Mercado de ônibus
Quando o assunto é ônibus a sueca prevê estabilidade no mercado, girando em torno de 3.500 unidades de ônibus pesados. A marca entende que com as passagens aéreas ainda caras, o turismo de ônibus segue competitivo.
A marca também anunciou a chegada do B320R B100, ou seja, que roda com 100% de biodiesel.
Serviços
Há muito tempo que vender caminhão não é só vender caminhão. Cada vez mais as montadoras tentam oferecer pacotes completos, com manutenção, telemetria e muito mais.
Em 2025 a Volvo comemorou o crescimento desse setor, que fechou 10% maior que 2024, com 55 mil caminhões conectados, 20 mil com Volvo Conect e 10 mil com o Condução Inteligente Volvo.
Serviços Financeiros
O “não vender só caminhão” também entra nos serviços financeiros que a marca presta. O Banco Volvo bateu a marca de dar suporte em 40% das entregas da empresa. Além disso, a Volvo Financial Service segue sendo a maior operadora de FINAME dentre os bancos de montadoras.
A VFS ainda cresceu 37% na contratação de seguros e 15% nas locações de caminhões. Aliás, essa modalidade já soma 1.150 unidades rodando pelo País.
Move Brasil
A Volvo, assim como outras montadoras, tem operado pelo programa do governo federal. Já são em torno de 300 unidades vencidas com o crédito do BNDES e espera-se um crescimento expressivo desse número após o carnaval.
Em entrevista ao Pé na Estrada, o ministro do desenvolvimento, indústria, comércio e serviço, Geraldo Alckimin, falou para que os autônomos procurassem os bancos de montadora para aderir ao Move Brasil.
A presidente do VFS, Silvia Gerber, afirma que, de fato, a rede está preparada para receber as demandas do programa. Segundo ela, algumas das 300 unidades vendidas até agora foram de veículos seminovos.
Perspectivas
Apesar do impulsionamento com o Move Brasil e com as vendas que devem acontecer na Fenatran, em novembro, a montadora acredita que o mercado vai fechar 2026 em queda. Rentabilidade pressionada do agro, eleições, desequilíbrio fiscal e taxa de juros são os fatores que explicam o pessimismo.
Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo Caminhões, acredita que o mercado caia entre 5 e 10%. Ele diz que espera que as perspectivas das outras montadoras, as que projetam estabilidade ou até crescimento, sejam as corretas, mas que no momento eles trabalham com esses números.
Apesar disso, o executivo entende que isso não afeta o longo prazo, por isso mesmo a decisão de investir R$ 2,5 bilhões até 2028 na América Latina. O novo aporte deve viabilizar novos produtos, melhorias de fábrica, novos serviços e outras frentes.
Por fim, a marca confirmou sua presença na Fenatran 2026.

Jornalista especializada em transporte comercial há mais de 15 anos.
Repórter do programa Pé na Estrada na TV (hoje no SBT) e coapresentadora do programa no Rádio (hoje na Massa FM). Mais de 300 mil seguidores nas redes sociais (Instagram + Tik Tok) onde fala de segurança e legislação de trânsito. Autora do livro “E se eles sumirem?” e palestrante de segurança no trânsito.