quarta-feira, janeiro 28, 2026

Por que as carretas 7 eixos estão paradas? A ANTT errou na tabela de frete?

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O assunto do momento no mundo dos transportes é: por que as carretas 7 eixos estão paradas? E mais, há bitrens, LS, Vanderleias e até conjuntos de 4º eixo sem carga e quem está tomando esses fretes são os rodotrens.

Caminhoneiros que trabalham com esses conjuntos estão apontando que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) teria errado ao atualizar a Tabela do Piso Mínimo de Frete, beneficiando apenas os veículos de 9 eixos. O Pé na Estrada fez as contas e viu que não é bem isso.

 

Por que há bitrem parado sem carga?

A Tabela do Piso Mínimo de Frete não é nova. Desde 2018 ela existe. Entretanto, só agora as reclamações desse tipo começaram. O que mudou?

O Pé na Estrada acompanha as atualizações que ocorrem duas vezes por ano e sempre que houver variação superior a 5% no preço do diesel, para cima ou para baixo.

A última atualização foi em julho de 2025, pela Resolução n.º 6.067, que segue válida para o segundo semestre deste ano, salvo nova alteração.

Isso significa que não saiu uma nova tabela, apenas segue em vigor a publicada no início deste semestre. A ANTT, inclusive, respondeu ao Pé na Estrada ratificando que não houve nova atualização.

 

Se não houve nova atualização, por que há caminhoneiros sendo prejudicados?

O Pé na Estrada comparou a Tabela do Piso Mínimo de Frete de fevereiro de 2025 com a atual, vigente no segundo semestre deste ano. A análise mostrou que a forma de cálculo não mudou, e que a diferença entre o quilômetro rodado de um conjunto de 7 eixos e um de 9 eixos também não aumentou.

Ou seja, sempre foi mais vantajoso para o embarcador contratar um rodotrem do que um bitrem, já que ele transporta mais carga e, consequentemente, o preço por tonelada é menor.

A grande virada, que atingiu de forma inesperada principalmente o agronegócio, foi a fiscalização do frete por meio do Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e).

 

Quem respeita a política de pisos mínimos?

Voltando a 2018, durante a greve dos caminhoneiros, uma das principais reivindicações era que a ANTT padronizasse os valores de frete por meio de lei. Assim surgiu a Lei n.º 13.703/2018, que instituiu a Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas.

No entanto, mesmo com a tabela prevista em lei, os caminhoneiros relatavam que os valores não eram cumpridos e pediam mais fiscalização. Segundo diversos movimentos de caminhoneiros, uma forma efetiva de fiscalização seria pelo Manifesto Eletrônico. Neste ano, a Agência decidiu intensificar a fiscalização e acatou a sugestão da própria categoria de fazer uma fiscalização eletrônica do frete via MDF-e.

A fiscalização começou em outubro, regulamentada pela Nota Técnica 2025.001. O que os transportadores de extrapesados não esperavam é que o cumprimento da tabela provocasse falta de frete para uns e abundância para outros.

 

Então, quem tem bitrem, LS e Vanderleia está fora do mercado?

Segundo a Revista Carga Pesada, neste momento há uma clara preferência por caminhões de maior capacidade de carga, pois o valor por tonelada pode ser até 20% menor quando o transporte é feito por combinações de nove eixos.

A publicação explica que os transportadores estão preferindo carretas de quatro eixos para cima, já que a diferença no custo final de um lote de grãos pode variar de R$ 10 a R$ 15 por tonelada, o que é significativo na hora de fechar grandes volumes de carga.

No entanto, não é o fim das carretas menores no transporte. Primeiramente que esse movimento está concentrado no agro, devido ao grande volume de carga.

Em segundo lugar, a medida que avança a colheita de soja e outros produtos, apenas os 9 eixos não darão conta do escoamento e o valor do frete deve subir, igualando as diferentes configurações.

Outro ponto destacado pela Carga Pesada é que essa preferência momentânea pelos rodotrens não deve se sustentar, já que esse tipo de veículo não circula em qualquer rodovia devido a restrições de trajeto.

 

Deve haver mais mudanças no Piso Mínimo de Frete?

Mesmo que a ANTT não tenha errado desta vez e tenha cumprido o cronograma previsto, a Agência respondeu a nossos questionamentos afirmando que se mantém aberta a sugestões de alteração na Tabela. Além disso, a ANTT ainda destacou que, sempre que necessário, realiza audiências públicas para revisar a forma como a tabela é aplicada, como foi feito em agosto deste ano.

Se você acredita que ainda faltam ajustes e tem sugestões, entre em contato com a ouvidoria pelos canais oficiais:

  • ouvidoria@antt.gov.br
  • WhatsApp: (61) 99688-4306
  • Telefone 24h: 166

 

Veja também: Começa fiscalização do Piso Mínimo de Frete pelo Manifesto

2 COMENTÁRIOS

  1. Legal, vou perguntar pras minhas contas se elas esperam o tempo de safra de soja chegar. Pelo visto não terei serviço para meu bitrem até lá e os frete que ainda restam para o bitrem mal pagam o diesel que vou gastar pra levar o produto pra passear.

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