segunda-feira, abril 6, 2026

Qual o impacto do fim da escala 6×1 para os caminhoneiros?

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O fim da escala 6×1 está na pauta prioritária do Governo Federal. Nas últimas semanas, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) n.º 8/2025 foi encaminhada pela Câmara dos Deputados à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para análise.

O Pé na Estrada conversou com a advogada dos caminhoneiros, Dra. Fran Curse, para entender melhor os benefícios que a redução da jornada de trabalho pode trazer aos motoristas que atuam sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

 

Fim da escala 6×1 para os caminhoneiros

Existem duas propostas que visam reduzir a jornada de trabalho dos trabalhadores com carteira assinada. A PEC n.º 8/2025, de autoria da deputada Erika Hilton, recebida pela CCJ neste mês, propõe que a duração do trabalho normal não seja superior a oito horas diárias e 36 horas semanais. Além disso, prevê jornada de quatro dias por semana, facultando a compensação de horários e a redução da jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Já a PEC 148/2015, de autoria do senador Paulo Paim, tem proposta semelhante, com a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. A mudança seria gradual: inicialmente, a carga horária cairia para 40 horas semanais e, depois, seria reduzida em uma hora por ano até atingir o limite de 36 horas.

Qual o impacto do fim da escala 6x1 para os caminhoneiros?

Os dois textos propõem alteração no inciso XIII do art. 7º da Constituição Federal, que atualmente estabelece jornada não superior a oito horas diárias e 44 semanais. Além disso, as PECs preveem que as mudanças ocorram sem prejuízo de salário ou benefícios ao trabalhador.

As duas propostas têm boa aceitação popular. A PEC 148/2015 conta com 2.730 votos favoráveis e 211 contrários em votação pública no site do Senado Federal. Já a PEC nº 8/2025, além de o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tê-la encaminhado à CCJ, conta com o apoio de 73% dos brasileiros, segundo pesquisa da Nexus.

 

Benefícios da redução de jornada para os caminhoneiros

Segundo a Dra. Fran Curse, as propostas, de modo geral, já trariam benefícios aos caminhoneiros com a redução da jornada e manutenção dos salários. No entanto, ela avalia que os projetos vão além dessa questão.

“Quando falamos dos benefícios que a aprovação do fim da escala 6×1 traria, é impossível não falar dos caminhoneiros. Estamos tratando de uma atividade peculiar, que normalmente envolve jornadas longas, muito estresse, pouco convívio social e familiar e impactos na saúde mental.”

A advogada afirma ainda que, se para a categoria dos trabalhadores como um todo a medida representa uma conquista, para os caminhoneiros ela ganha importância ainda maior, sendo uma necessidade urgente.

Sobre a adaptação da nova escala para os motoristas, Dra. Fran Curse destaca que o impacto no setor de transporte é evidente, especialmente no aspecto financeiro, devido à reorganização das jornadas. No entanto, ela ressalta que o benefício ao trabalhador pode ser significativo. Com o caminhoneiro tendo mais tempo para a família, melhor qualidade de vida e maior cuidado com a saúde.

Ela complementa que não existem soluções perfeitas ou milagrosas. O fim da escala 6×1 pode trazer dificuldades, especialmente para motoristas de longa distância, que podem continuar tendo folgas longe de casa. Porém, com a redução da jornada e a eventual contratação de mais profissionais, ela acredita que haverá mais possibilidades de reorganizar o quadro de funcionários e melhorar as condições de trabalho.

 

Veja também: Fórum Pé na Estrada debate com transportadores a falta de motoristas

5 COMENTÁRIOS

  1. Vai piorar para nós.
    Por exemplo em vez de vir para casa no sábado por exemplo, vamos ter que passar sábado e domingo mofando num posto de combustível para segunda vir pra casa por exemplo.
    Sem noção, ser melhor passar mais tempo parado em posto no repente do sol pagando carro para se alimentar e ainda julgarem isso como descanso.
    Se fosse proibir descanso em posto de combustível, obrigatório em casa daí era outra conversa. As empresas teriam que se organizar e o motorista teria mais dignidade de descansar em casa com família .

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