Na matéria anterior sobre os planos da Volvo para este ano, o Pé na Estrada deu um spoiler sobre o mercado de ônibus no Brasil. A marca reforça seu compromisso com a descarbonização no transporte de passageiros ao oferecer, ainda em 2026, a opção de uso do biocombustível B100 (biodiesel 100%) no chassi urbano B320R.
Outra novidade é a habilitação da marca no Pró-Transporte, programa do governo federal que dá acesso a recursos com juros menores para a aquisição de ônibus urbanos.
Ônibus movidos a B100 e Pró-Transporte
Segundo a montadora, assim como ocorre com as alternativas elétricas, os chassis com motores a biocombustível podem contribuir para o meio ambiente em áreas urbanas, com redução de até 90% nas emissões de CO₂, dependendo da cadeia de produção do combustível.
“Temos uma tecnologia madura, já consolidada em caminhões. O B100 combina ganho ambiental, viabilidade técnica e facilidade de aplicação, pois já há um grande número de produtores desse biocombustível em todo o País”, declara André Marques, presidente da Volvo Buses na América Latina.
No caso do Pró-Transporte, a Volvo busca ampliar a oferta de financiamento a custos mais acessíveis. O programa é destinado a projetos de modernização e melhoria da mobilidade nas cidades, incluindo a aquisição de ônibus urbanos.
Os recursos vêm do FGTS e são concedidos pela Caixa Econômica Federal por meio de agentes financeiros repassadores — neste caso, o Banco Volvo. A taxa de juros depende do perfil de crédito de cada cliente, mas pode chegar à metade dos juros praticados em financiamentos regulares. Segundo a marca, o transporte de passageiros é um segmento empresarial com margens baixas e custos elevados, e o programa pode ajudar na renovação de frotas, especialmente na atual conjuntura econômica.
Desempenho no último ano
No ano passado, a Volvo entregou 1.099 chassis na América Latina. O Brasil emplacou 553 veículos, o equivalente à metade das vendas totais da fabricante na região, confirmando a relevância do País para a marca. Para este ano, a previsão é de estabilidade no mercado, com volume estimado em torno de 3.500 unidades de ônibus pesados.
As vendas de chassis rodoviários prevaleceram e representaram aproximadamente 80% do total. A Volvo segue consolidando sua participação em veículos na configuração 8×2, destinados ao turismo premium e às linhas interestaduais de longa distância. A família de chassis B380R, B420R, B460R e B510R mantém bom desempenho comercial, impulsionada por tecnologia, desempenho e segurança — atributos fundamentais na operação de transporte de passageiros. Destaque também para o início das entregas do chassi B360R, último lançamento da marca na linha rodoviária.
Eletromobilidade chega aos articulados e biarticulados
Reconhecida por sua posição de vanguarda no respeito ao meio ambiente, a Volvo também registrou, em 2025, um avanço importante na oferta de chassis elétricos com zero emissões, com o lançamento do modelo BZRLE, de piso baixo. Quarenta unidades já foram comercializadas para as empresas Santa Brígida (20) e Gato Preto (20), duas importantes operadoras do sistema de transporte de passageiros de São Paulo.
Outro marco de 2025 foi o início da produção dos chassis Volvo BZRT articulados e biarticulados 100% elétricos no Brasil. Os modelos de alta capacidade são destinados a sistemas BRT voltados à descarbonização e são produzidos exclusivamente na fábrica de Curitiba–PR, apta a exportá-los para todo o mundo.

As primeiras unidades já estão em operação regular. Há duas semanas, a marca entregou 21 articulados e biarticulados para Goiânia–GO. A cidade tornou-se a primeira do mundo a operar uma frota de biarticulados elétricos, com zero emissões e baixíssimo nível de ruído. Os veículos integram a iniciativa de requalificação do BRT da capital goiana, um dos mais tradicionais do País.
Lembrando que 2026 é ano de Lat.Bus que ocorrerá em São Paulo nos dias 11, 12 e 13 de agosto no São Paulo Expo. Além de montadoras, estarão presentes encarroçadoras, fabricantes de autopeças, provedores de tecnologia e empresas de soluções de mobilidade da América Latina.
Veja também: De grãos a estradas: como o B100 começa a ganhar espaço

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.