Vendas de caminhões caem 13% no acumulado do ano e setor aguarda efeitos do Move Brasil 2

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As vendas de caminhões caíram 13,64% de janeiro a maio deste ano, reflexo de um setor que aguarda condições melhores de crédito e de mercado. Apesar de recuperações pontuais em alguns meses, como na passagem de fevereiro para março, o segmento espera o momento mais favorável para investir na renovação da frota, o que pode acontecer agora com o Move Brasil 2.

Nessa segunda fase do programa, o aporte é de R$ 21,2 bilhões, contemplando também ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários. Segundo a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), como o programa começou em 29 de maio, os resultados desta etapa devem aparecer a partir de junho.

 

Desempenho dos caminhões depende do crédito

O balanço das vendas de caminhões segue negativo tanto na comparação mensal quanto no acumulado do ano. Em maio, a retração em relação a abril foi de 5,32%. O mercado emplacou 8.200 unidades no mês passado, contra 8.661 em abril.

Na comparação com maio do ano passado, a queda foi de 6,96%. Em maio de 2025, foram vendidos 8.813 caminhões.

No acumulado do ano, as vendas somam 38.611 caminhões, ante 44.710 unidades registradas entre janeiro e maio de 2025.

Segundo a Fenabrave, com o encerramento da primeira etapa do Move Brasil em março e o anúncio da segunda fase, transportadores e caminhoneiros autônomos entraram em compasso de espera, já que a comercialização de veículos pesados está diretamente ligada ao custo do crédito e ao nível da atividade econômica.

“Caminhões dependem de decisões empresariais de longo prazo. Mesmo com a necessidade de renovação da frota, o comprador avalia financiamento, previsibilidade de receita e custo operacional antes de investir. Por isso, a segunda fase do Move Brasil era bastante aguardada. Com o início de sua operação no fim de maio, esperamos uma recuperação gradual deste setor nos próximos meses”, analisa Arcelio Junior.

Outra ação do Governo Federal é a liberação de R$ 30 bilhões para a renovação de veículos de aplicativo e táxis, em um programa semelhante ao Move Brasil, que oferece incentivos com taxas de juros reduzidas e carência de seis meses. A iniciativa também contempla veículos comerciais leves de até R$ 150 mil, o que pode estimular investimentos em veículos de trabalho, como VUCs e picapes.

 

Segunda fase do Move Brasil mira o setor de ônibus

A segunda fase do Move Brasil destina R$ 2 bilhões ao setor de ônibus, que também enfrenta dificuldades nos emplacamentos.

Na comparação entre maio e abril, a queda foi de 14,86%. O setor emplacou 2.074 unidades em maio, contra 2.436 em abril.

Já em relação a maio do ano passado, a retração foi de 14,12%, quando foram vendidas 2.415 unidades.

No acumulado do ano, o setor registra queda de 11,45%. Entre janeiro e maio deste ano, foram emplacados 10.410 ônibus, ante 11.756 unidades no mesmo período de 2025.

Segundo a Fenabrave, sem programas como o Caminho da Escola, o segmento segue na expectativa pela implementação da segunda fase do Move Brasil. Isso porque o setor é influenciado por renovações de frotas urbanas, compras públicas, programas de transporte escolar e decisões de operadores privados.

“É um mercado de ciclos específicos. A demanda existe, mas depende de projetos, licitações, planejamento de mobilidade e capacidade de investimento dos operadores, fatores que podem ser beneficiados pelo Move Brasil 2. Com isso, é possível reduzir o ritmo de queda e promover certa recuperação para esse segmento nos próximos meses”, afirma Arcelio Junior.

 

Implementos rodoviários acompanham queda dos pesados

Assim como caminhões e ônibus, o setor de implementos rodoviários espera uma melhora nas vendas com os recursos oferecidos pelo Move Brasil, que também contempla esse segmento e contribui para a renovação da frota.

O mercado recuou 6,71% na comparação entre maio e abril. Foram emplacadas 5.173 unidades em maio, contra 5.545 em abril.

Na comparação com maio do ano passado, a queda foi de 12,53%, quando o setor registrou 5.914 emplacamentos.

No acumulado do ano, o segmento registra retração de 12,68%, com 26.463 unidades vendidas até o momento, contra 30.307 implementos comercializados entre janeiro e maio do ano passado.

Para a Fenabrave, o comportamento segue a mesma tendência observada no setor de veículos pesados.

“Implementos rodoviários, assim como caminhões, acompanham o ritmo da atividade econômica e da renovação logística. Com a implantação da segunda fase do Programa Move Brasil, acreditamos que a curva de queda possa ser parcialmente revertida também para esse segmento”, afirma o presidente da Fenabrave.

 

Veja também: Importados já dominam 70% do mercado de pneus de carga e preocupam indústria nacional

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

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