O início de outubro traz uma data curiosa: o Dia do Petróleo, celebrado em 3 de outubro. Mais do que uma homenagem, a data busca lembrar a importância estratégica do petróleo para a economia global.
No Brasil, o dia também marca a criação da Petrobras, em 1953, um marco da gestão estatal e da busca por independência energética.
Mas essa ideia de soberania está longe de ser simples. O Brasil exporta petróleo cru, principalmente do pré-sal e, ao mesmo tempo, importa derivados como diesel e gasolina.
Isso acontece porque nossas refinarias ainda não têm capacidade plena para processar todo o petróleo que produzimos.
O resultado é um paradoxo: somos grandes exportadores e, ao mesmo tempo, dependentes de importações.
Por que exportamos e importamos ao mesmo tempo?
O Brasil produz petróleo bruto, que precisa ser refinado para se transformar em gasolina, diesel, querosene e outros produtos.
O problema é que muitas refinarias nacionais foram projetadas para tipos de óleo diferentes do que extraímos hoje, especialmente o do pré-sal.
Assim, parte da produção vai para fora, para países com refinarias mais modernas, como os Estados Unidos e a China. De lá, os derivados voltam ao Brasil em forma de importação, muitas vezes a preços mais altos.
Como o petróleo vira combustível?
O petróleo cru não pode ser usado diretamente. Ele passa por um processo chamado refino, que inclui várias etapas:
1. Destilação fracionada, em que os componentes se separam pelo ponto de ebulição (do GLP no topo da torre ao asfalto na base).
2. Destilação a vácuo, para lidar com frações mais pesadas.
3. Craqueamento, que quebra moléculas grandes e gera gasolina.
4. Reforma catalítica, que melhora a qualidade dos combustíveis.
4. Tratamento, para remover impurezas como o enxofre.
É esse processo que transforma o óleo escuro retirado do fundo do mar em combustíveis e insumos que movem carros, aviões, tratores e indústrias.
Por que carros a diesel são proibidos no Brasil?
Desde 1976, os carros de passeio a diesel não podem circular no país. A decisão reservou o combustível — mais barato e subsidiado — ao transporte pesado, como caminhões e ônibus, além de estimular o uso do etanol. Hoje, só picapes, SUVs e veículos fora de estrada podem ter motor a diesel.
Soberania Nacional
Mesmo com recordes de produção, ultrapassando 3,6 milhões de barris por dia em 2024 e colocando o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo, o país ainda precisa importar até 25% do diesel e 10% da gasolina que consome.
A maioria do óleo cru vai para a China, nossa principal compradora. Mas como muitas refinarias brasileiras são antigas e têm limitações tecnológicas, continuamos dependentes do mercado externo para atender à demanda interna por combustíveis.
Quem paga a conta?
Essa dependência pesa no bolso do consumidor. Como o Brasil paga em dólar pelas importações, qualquer variação no câmbio ou no preço internacional do barril reflete em aumentos nas bombas. Caminhoneiros arcam com fretes mais caros, agricultores têm custos maiores nas colheitas e, no fim da linha, os alimentos e produtos básicos ficam mais caros para todos.
Dia do Petróleo é, portanto, um lembrete: não basta ser potência na extração. O desafio do Brasil é transformar essa riqueza em soberania real, com capacidade de refino suficiente para garantir que a energia que move o país seja, de fato, nossa.

Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.