O Brasil se despediu, nesse fim de semana, da caminhoneira Nahyra Schwanke, considerada a mais experiente e admirada das estradas do país. A estradeira faleceu nesse domingo, 22 de fevereiro de 2026, aos 96 anos. Sua última morada foi em Não-Me-Toque (RS), onde vivia com a filha, Salete.
Nahyra colecionou mais de 70 anos de história no volante, rodando com caminhões Mercedes-Benz ao longo de sua carreira e transportando principalmente grãos em rotas longas. Demonstrava amor pelo transporte e manteve contato com o caminhão praticamente até os últimos anos de vida.
Conheça a história de Nahyra Schwanke
A Mercedes-Benz admirava a trajetória de Nahyra, que inclusive foi homenageada no ano passado pela montadora por meio do Movimento A Voz Delas. Natural de Santa Catarina, ela foi reconhecida como a caminhoneira mais velha do mundo, enfrentando as barreiras do transporte e os desafios de atuar em uma profissão que ainda hoje é majoritariamente masculina.
A caminhoneira começou muito cedo: aos 12 anos, já trabalhava na fazenda da família, em Arroio Bonito, dirigindo um trator, em Sobradinho (RS).
Em 1958, aos 27 anos, Nahyra comprou seu primeiro caminhão. Passava, em média, de 12 a 15 horas por dia ao volante e rodava entre 8 e 10 mil quilômetros por mês. A maior parte das noites era passada na cama que mantinha na cabine.
Segundo Nahyra, sua velocidade média nas estradas variava entre 70 e 90 quilômetros por hora, dependendo da via. Essa cautela foi fundamental para que ela nunca se envolvesse em um acidente nem recebesse uma infração sequer em quase 70 anos como motorista de caminhão.
Última entrevista ao Pé na Estrada
A veterana do transporte viveu seus últimos anos no Sul do país, morando com a filha e seus cachorros. Em entrevista concedida ao Trucão, em 2015, ela contou que o considerava mais que um apresentador: via nele um filho, e ele a tratava como mãe. Na época, Nahyra dirigia um Mercedes Axor 2536.
Embora ainda participasse, vez ou outra, de rodas de caminhoneiros, já apresentava alguns problemas de saúde, o que fazia com que a filha a acompanhasse nas viagens.
Ao apresentador, confessou que, além das estradas, gostava muito de conversar com os colegas para saber como estava o trecho. Apesar da idade, Nahyra não era inimiga da tecnologia: apreciava veículos mais novos, que traziam novidades, conforto e eficiência.
Nahyra deixa um legado de coragem e determinação para os mais novos — e, principalmente, para as mais novas. Confira abaixo a entrevista completa que essa inspiradora estradeira concedeu ao Pé na Estrada.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.