As quedas que vêm se acumulando ao longo dos meses na produção de caminhões tiveram um respiro agora em fevereiro, embora o acumulado ainda tenha fechado negativo. O último balanço da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostra que o programa Move Brasil pode estar surtindo efeito.
Na comparação entre janeiro deste ano e o mês passado, o crescimento foi de 14,5%, com 7,8 mil veículos produzidos em fevereiro e 6,8 mil em janeiro. Contudo, o mercado espera estabilidade para os próximos meses com o programa de renovação de frota do Governo Federal.
Caminhões fecham primeiro bimestre de 2025 negativo
A produção de caminhões registrou queda de 34,9% na comparação entre o mês passado e o mesmo mês de 2025. Embora a produção em fevereiro tenha sido de 7,8 mil unidades, no mesmo mês do ano anterior a indústria havia produzido 12 mil caminhões.
Já nas vendas, a retração registrada pelo mercado foi de 25,7%. Em fevereiro deste ano foram vendidos 6,7 mil veículos, contra 9 mil caminhões no mesmo mês do ano anterior.
Nas exportações, a queda foi de 49,4%. Os veículos exportados no mês passado somaram 1,2 mil unidades, contra 2,3 mil em fevereiro de 2025.
Por enquanto, acumulado segue sem recuperação
Na produção de caminhões, o número segue negativo em 27%. Nos dois primeiros meses deste ano, a indústria produziu 14,6 mil veículos. No mesmo período do ano passado, a produção havia sido de 20 mil unidades.
O acumulado das vendas neste primeiro bimestre fechou em queda de 28,7%. Até o momento, o mercado emplacou 13,1 mil unidades, enquanto no mesmo período anterior foram 18,4 mil veículos.
Por fim, nas exportações, a queda registrada foi de 31,6%. Nestes dois meses do ano, o setor enviou 2,3 mil caminhões ao exterior. De janeiro a fevereiro de 2025, foram 3,3 mil unidades.
Ônibus têm produção positiva no último mês
A produção de ônibus fechou fevereiro com alta de 8,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. No mês passado, a indústria produziu 2.703 unidades, enquanto no mesmo mês do ano anterior foram 2.485.
Já as vendas registraram queda de 33,1%. Em fevereiro deste ano, o mercado emplacou 1.306 unidades, contra 1.951 em fevereiro do ano passado.
Nas exportações, a retração foi de 29,9%. No mês anterior, o setor enviou 342 unidades ao exterior, ante 488 registradas em fevereiro de 2025.
Acumulado de ônibus também fecha no verde
Com o resultado positivo do mês, a produção de ônibus também fechou o acumulado do bimestre em alta de 5,4%. Até o momento, a indústria produziu 4.523 ônibus, contra 4.291 unidades no mesmo período do ano anterior.
Nos emplacamentos, a queda foi de 33,4%. De janeiro até agora, o mercado vendeu 2.486 unidades, enquanto no acumulado anterior foram 3.735.
As exportações também tiveram retração nesse período, com baixa de 17,2%. No fechamento do bimestre, o setor enviou 651 ônibus ao exterior, contra 786 entre janeiro e fevereiro de 2025.
Anfavea tem esperanças no Move Brasil e na queda dos juros
Segundo a Anfavea, a perspectiva de recuperação está ligada ao programa Move Brasil, que incentiva a renovação de frota por meio de taxas de financiamento reduzidas. Os reflexos já começam a ser sentidos no segmento de caminhões. O BNDES já liberou mais de R$ 4 bilhões em financiamentos no âmbito do programa, para a troca de veículos antigos por seminovos ou 0 km.
Além disso, o mercado projeta queda da taxa Selic ao longo do ano, com previsão de fechamento de 2026 em 12,25%. Atualmente, a Selic está em 15%, mas no Move Brasil, por exemplo, o teto das taxas para quem quer trocar de caminhão ou renovar a frota fica entre 13% e 14%. A Anfavea também espera que o programa alcance principalmente os modelos pesados, que foram os mais afetados no ano passado.

Além da recuperação lenta do mercado de caminhões, a associação avalia que a guerra que ocorre no Oriente Médio pode impactar o mercado brasileiro, embora ainda não seja possível medir em que proporção. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, os efeitos podem ser macroeconômicos e logísticos, especialmente no preço do petróleo.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.