O Governo Federal aproveitou o pronunciamento do programa Move Brasil 2 para anunciar o aumento da mistura de biodiesel no diesel, de 15% para 16%. A adoção do B16 já estava prevista, mas havia sido adiada devido às variações no preço do diesel registradas recentemente.
Com isso, o Executivo decidiu retomar o cronograma, que prevê a elevação gradual da mistura até atingir 20% (B20) até 2030, conforme estabelecido pela lei do “Combustível do Futuro”. O anúncio também veio acompanhado do aumento da mistura de etanol na gasolina, que deve passar dos atuais 30% para 32%.
“Do poço ao motor, o nosso combustível é 90% menos emissor de CO₂ do que o combustível que vem de fora. Na média geral, o nosso biocombustível é 67% menos emissor do que o de fora. Está provado que o Brasil pode se tornar a famosa Arábia Saudita do combustível. Se quiser descarbonizar o planeta, o Brasil é uma alternativa. De 1% em 1%, vamos convencer o mundo de que, para investir em combustível renovável, não é preciso gastar com pesquisa”, disse o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o pronunciamento do Move Brasil 2.
Chegada do B16 e testes com o biocombustível
O Ministério de Minas e Energia (MME) planeja uma série de testes, com início previsto ainda para maio. A estimativa inicial era de que esses testes se estendessem por quase um ano.
No entanto, um documento do ministério indicava que, com mais recursos, seria possível reduzir esse prazo para cerca de quatro meses. Caso os testes comecem em maio, a conclusão poderia ocorrer entre agosto e setembro. Em evento recente em São Paulo, o diretor do Departamento de Biocombustíveis do MME, Marlon Arraes, já havia sinalizado a intenção do governo de acelerar esse processo.
Parlamentares ligados ao setor de biodiesel vinham pressionando o governo a avançar no cronograma de aumento da mistura obrigatória. Desde o início da guerra no Irã, entidades da indústria de biocombustíveis defendem a adoção do B17 como forma de reduzir a exposição do país às oscilações do mercado internacional de petróleo e derivados. O anúncio foi bem recebido por representantes do setor.
BeVant do Brasil para o mundo
Durante a participação do governo no “Messegelände”, Hall 12, em Hannover, na Alemanha, nas últimas semanas. Um dos destaques foi a agenda no estande da Be8, empresa responsável pelo desenvolvimento do biocombustível BeVant.
Batizado de Be8 BeVant e lançado em 2023, o produto é um biodiesel 100% renovável, classificado como metil éster bidestilado. Entre suas vantagens está a possibilidade de uso direto no tanque ou em mistura com o diesel, sem necessidade de adaptações.
Outro diferencial é a redução de mais de 90% nas emissões de gases de efeito estufa no uso em veículos, em comparação ao diesel S10, considerando o ciclo “do tanque à roda”.
Embora o Governo tenha apresentado o BeVant no exterior como uma solução promissora, a adoção do B16 nos postos ainda preocupa motoristas — especialmente os de veículos mais antigos, como grande parte da frota brasileira de caminhões. Isso porque o biodiesel presente na mistura, de origem vegetal ou animal, pode favorecer a formação de resíduos no tanque, aumentando o risco de entupimentos e problemas no sistema de combustível.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.