A indústria brasileira de pneus demonstra preocupação com o avanço dos pneus importados no mercado brasileiro — um cenário que se arrasta há anos. No mês retrasado, a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos enviou uma carta ao MDIC pedindo o reajuste da alíquota de importação de pneus de passeio, de 25% para 35%, seguindo o exemplo de mercados como México e União Europeia, que elevaram barreiras tarifárias para estimular e dar preferência às suas indústrias locais.
O último balanço da ANIP aponta retração de 7% no primeiro trimestre de 2026 nas vendas no mercado doméstico, pressionada pela entrada massiva de produtos importados no país, muitas vezes com práticas de dumping e sem cumprir metas ambientais previstas na legislação, conforme apontamentos do próprio governo.
No total, foram comercializadas 8,7 milhões de unidades no primeiro trimestre deste ano, contra 9,4 milhões no mesmo período do ano anterior, totalizando 700 mil pneus a menos no intervalo.
Pneus importados já dominam 70% do mercado brasileiro
Com o desempenho, a participação dos pneus nacionais no mercado de reposição ficou em 31%, contra 69% dos importados. Em 2019, essa proporção era inversa, e os fabricantes nacionais detinham 69% de participação.

“A falta de condições isonômicas de concorrência está colocando em risco todo o ecossistema de produção de pneus no Brasil, o que pode levar o país a uma situação de dependência do mercado internacional, com perda de soberania neste estratégico setor”, afirma Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
“Somos um país de modal predominantemente rodoviário. Pneu é insumo estratégico e medidas precisam ser tomadas para defender a indústria e os fornecedores no país”, acrescenta o executivo.
De acordo com o relatório da ANIP, as vendas de pneus de passeio encolheram 6,8% no período analisado. Os pneus de carga recuaram 7,9%, enquanto o segmento de motocicletas apresentou estabilidade. As vendas no mercado de reposição puxaram as quedas, com retração de 8,2%. Já as vendas para montadoras encolheram 4,6%.
A entidade também tem atuado em conjunto com todo o ecossistema de fornecedores da cadeia de produção — borracha, químicos, aço e têxteis — e com outros setores da indústria que enfrentam desafios semelhantes, para buscar soluções para a entrada indiscriminada de importados no país.
“Em março, lançamos um Manifesto pela Indústria Nacional, que já conta com o apoio de mais de 40 organizações e entidades. Muitos setores enfrentam o mesmo problema. Nossa causa é evitar a desindustrialização do país, a perda de investimentos e a eliminação de postos de trabalho”, diz Navarro.
Carta ao governo pede equilíbrio no mercado de pneus
No documento, a ANIP e os demais apoiadores propõem medidas urgentes ao Governo Federal, com destaque para:
- Controle de entrada: estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs), com base em valores internacionalmente praticados, análise documental detalhada (antifraude) e comprovação de cumprimento de metas ambientais já estabelecidas, além de possíveis medidas de salvaguarda cabíveis, conforme determinado pelo governo.
- Proteção imediata: celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso.
- Compras públicas sustentáveis: estímulo às compras governamentais e às linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo, que efetivamente cumpram a legislação ambiental e comprovem conformidade com as normas técnicas vigentes.
- Isonomia tarifária: adoção, pelo Brasil, de medidas tarifárias alinhadas às praticadas por outros países com base industrial forte.
- Fomento à matéria-prima local: implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, atualmente em fase final de elaboração pelo Governo Federal.
“Com a adoção dessas medidas, será possível estabelecer bases mais justas de competição, trazendo maior equilíbrio e impedindo a destruição do ecossistema produtivo de pneus no Brasil”, conclui Navarro.

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.