O mercado de caminhões mantém certa estabilidade no mês de abril em relação a março, mas o resultado ainda segue negativo nos comparativos. A Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) prevê melhora nos próximos meses no segmento de pesados com a chegada do Move Brasil 2, principalmente com a inclusão de implementos rodoviários — um pedido da entidade.
“A nova fase do programa chega em um momento importante para todo o segmento de pesados e pode ajudar a reaquecer os emplacamentos de caminhões, ônibus e implementos, com boa capacidade de influenciar positivamente os resultados dos próximos meses, revertendo a curva de queda dos últimos anos”, analisa Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.
Diferentemente do mês de março, quando as vendas de caminhões cresceram 32,6%, no último mês a retração foi de 1,20%. Vale ressaltar que, entre fevereiro e março de 2026, a comercialização de caminhões pesados ultrapassou crescimento de 49%, dentro do programa Move Brasil.
Quadrimestre fecha negativo para caminhões
Apesar do bom desempenho em março, o setor emplacou 8.661 caminhões no mês de abril, frente aos 8.766 de março. Já na comparação com abril de 2025, a queda foi de 3,24%, quando foram vendidos 8.951 veículos.
No acumulado do ano, o segmento recuou 15,28%. De janeiro a abril de 2026, o mercado emplacou 30.411 veículos, contra 35.897 no mesmo período do ano passado.
Mercado espera melhora em ônibus com o Move Brasil 2
O setor de pesados como um todo não vive um bom momento, e o cenário também se reflete nos ônibus. O segmento permaneceu praticamente estável na passagem de março para abril, com leve retração de 1,58%.
Em abril, foram emplacados 2.436 ônibus, frente aos 2.475 de março. Na comparação com abril de 2025, a redução foi de 4,32%, quando o setor registrou 2.546 unidades.
No acumulado do ano, a queda é de 10,76%. No primeiro quadrimestre, o mercado vendeu 8.336 ônibus, contra 9.341 no mesmo período de 2025.
Vale lembrar que, na nova edição do Move Brasil — que conta com aporte de R$ 21,2 bilhões — o Governo Federal reservou R$ 2 bilhões para a renovação da frota de ônibus do país.
“Ônibus é um segmento que costuma apresentar oscilações mais acentuadas, pois depende de ciclos de renovação e de projetos públicos de transporte. O desempenho de abril mostra estabilidade no mês, mas o acumulado ainda indica um mercado em recuperação gradual, que deve ser favorecido a partir de agora com a segunda etapa do programa Move Brasil, que reduzirá taxas e ampliará prazos de financiamento pelo BNDES”, comenta o presidente da Fenabrave.
Implementos rodoviários também devem ganhar fôlego com o Move Brasil 2
Os implementos rodoviários registraram retração em abril, tanto na comparação com março quanto frente ao mesmo mês do ano passado, e seguem em queda no acumulado de 2026. O desempenho acompanha o comportamento mais cauteloso dos segmentos ligados ao transporte de cargas.
Na comparação com março, a queda foi de 13,25%. Em abril, foram emplacados 5.545 implementos, contra 6.392 no mês anterior. Já frente a abril de 2025, a retração foi de 7,12%, quando foram registrados 5.970 emplacamentos.
No acumulado do ano, o setor registra queda de 12,72%. Neste quadrimestre, foram emplacados 21.290 implementos, contra 24.393 no mesmo período de 2025.
“O mercado de implementos está diretamente relacionado à dinâmica dos caminhões, do agronegócio, da logística e da atividade industrial. Acreditamos que, com a inclusão deste segmento no Move Brasil, poderemos sentir uma reversão na curva de queda que, em 2025, chegou a 20%”, avalia Arcelio Junior.
Apesar de o Governo Federal ter mais que dobrado o crédito do Move Brasil nesta nova etapa, a Fenabrave manteve as projeções iniciais divulgadas no início de 2026 até o fechamento do primeiro semestre, quando reavaliará o desempenho dos segmentos para uma possível revisão das estimativas.

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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.