A primeira fase do Move Brasil terminou e, com ela, a indústria conseguiu colher bons resultados em março, com alta de 42,8%. Porém, em abril, a produção de caminhões registrou queda de 12,2%.
Os números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) apontam que, no mês passado, a indústria produziu 9,7 mil caminhões, contra 11 mil em abril de 2025.
Apesar do efeito positivo do Move Brasil 1 ter sido breve, a Anfavea avalia que a segunda edição do programa do Governo Federal chega em boa hora. Além de incluir ônibus e implementos rodoviários na renovação de frota, o programa agora conta com R$ 21,2 bilhões em crédito disponível.
Queda nas vendas, mas exportações seguem positivas
Como destacado no início da matéria, o bom desempenho registrado em março não se manteve em abril. Nas vendas, o mercado registrou queda de 5,8%.
No mês passado, foram emplacadas 8,8 mil unidades, contra 9,3 mil em abril do ano passado.
Já nas exportações, houve alta de 4,6%, com 2,2 mil caminhões exportados, frente aos 2,1 mil registrados em abril de 2025.
Acumulado mostra desaceleração das quedas
A produção de caminhões acumula queda de 17,2%. Até abril, a indústria fabricou 35,4 mil veículos, contra 42,8 mil no mesmo período do ano passado.
Nas vendas, a retração também foi de 17,2%. No entanto, segundo balanço da Anfavea, a queda vem desacelerando em relação aos primeiros meses do ano. Em janeiro, por exemplo, o recuo chegou a 31,5%.

Com isso, de janeiro a abril deste ano, o mercado vendeu 30,7 mil caminhões, frente aos 37,1 mil registrados no mesmo período do ano anterior.
No acumulado das exportações, diferente do resultado mensal, houve retração de 14,0%. De janeiro a abril de 2025, o Brasil exportou 7 mil caminhões, contra 8,1 mil no mesmo período do ano passado.
Produção de ônibus fica positiva, mas vendas e exportações recuam
A produção de ônibus fechou abril com alta de 5,9%. No mês passado, a indústria fabricou 3.044 unidades, contra 2.874 em abril de 2025.
Já as vendas tiveram desempenho negativo de 6,9%. No mês passado, o mercado vendeu 2.049 ônibus, enquanto no mesmo período do ano anterior foram 2.201 unidades.
Vale lembrar que, na nova fase do Move Brasil, o Governo Federal anunciou R$ 2 bilhões em crédito para a compra de novos ônibus, medida que pode impactar positivamente os emplacamentos do setor nos próximos meses.
As exportações de ônibus fecharam abril com queda de 25,3%, com 431 unidades exportadas no mês passado, frente às 577 registradas em abril de 2025.
Ônibus fecham acumulado com produção positiva
No acumulado até abril, a produção de ônibus também ficou positiva, com alta de 5,9%. De janeiro a abril, a indústria fabricou 10.641 unidades, contra 10.046 no mesmo período do ano anterior.
Já as vendas acumulam queda de 16,0%. Foram 6.494 unidades comercializadas neste ano, frente às 7.729 vendidas entre janeiro e abril de 2025.
Por fim, o acumulado das exportações registra retração de 31,1%, com 1.381 ônibus exportados até abril deste ano, contra 2.005 no mesmo período de 2025.
Anfavea vê possibilidade de revisar projeções em julho
Segundo a Anfavea, o encerramento da primeira fase do Move Brasil foi marcado pela agilidade na distribuição dos recursos, que facilitaram o crédito para aquisição de caminhões novos e seminovos — com juros ainda menores para quem entregou modelos antigos para reciclagem.
De acordo com a entidade, o programa ajudou a reduzir a queda nas vendas, que era de 31,5% em janeiro e caiu para 17,2% no acumulado do quadrimestre.
“Esperamos eliminar esse gap e voltar aos volumes normais de emplacamento com o Move Brasil 2, que vai disponibilizar R$ 21,2 bilhões para financiamento de caminhões, sobretudo para autônomos, além da aquisição de ônibus e implementos rodoviários mais modernos”, afirmou Igor Calvet.
Sobre as projeções para o restante de 2026, a Anfavea informou que há indícios de revisão no segundo semestre, considerando o aumento dos recursos destinados à renovação da frota pesada.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.