Goiânia, capital de Goiás, ganhou oito ônibus articulados movidos a gás natural/biometano. A cidade dá um passo rumo à descarbonização do transporte de passageiros, com a intenção de incorporar 501 veículos desse modelo até 2027.
Os ônibus vão operar no corredor Leste-Oeste da capital, conhecido como Eixo Anhanguera, principal eixo de transporte coletivo de Goiânia.
O projeto da Scania, em parceria com a Marcopolo, contou com a participação de empresas do setor, como o Consórcio BRT, além do Governo de Goiás. A iniciativa soma investimentos superiores a R$ 2,5 bilhões.
K 340C conta com chassi Scania e carroceria Marcopolo
Os veículos Viale Express Articulado são equipados com motores Ciclo Otto, movidos 100% a gás natural e/ou biometano, ou pela mistura de ambos. O chassi é o Scania K 340C A6x2/2 NB Euro 6, que desenvolve torque de 1.600 Nm, potência de 340 cavalos e conta com transmissão automática ZF de seis velocidades, além de suspensão a ar e sistema eletrônico de freios.
Os sete cilindros do tipo 4 que armazenam o combustível são instalados no teto. Isso é possível graças ao uso de fibra de carbono, material 70% mais leve, o que permite maior capacidade de armazenamento — um tipo de cilindro ainda inédito no Brasil. A capacidade total é de 1.645 litros, equivalente a 411,25 m³. Abastecidos com biometano, os veículos reduzem ruídos, vibrações e emissões.
Com isso, os ônibus alcançam autonomia superior a 400 quilômetros, com desempenho equivalente ao de veículos movidos a diesel.
A Marcopolo configurou a carroceria com 19 e 22 metros de comprimento e capacidade para até 145 passageiros. Os assentos incluem poltronas estofadas com entradas USB e USB-C. Além disso, o interior conta com piso amadeirado, iluminação full LED, ar-condicionado, monitoramento por câmeras e área dedicada a pessoas com mobilidade reduzida, com rampa e elevador. O PBT homologado é de 26 toneladas.

Goiás deve ganhar gasoduto para abastecimento da frota
O primeiro gasoduto do estado, fruto de parceria entre GoiásGás, GeoGreen Biogás e o Consórcio BRT, vai permitir uma logística mais eficiente para o fornecimento de combustível ao sistema. Além disso, está em implantação a primeira usina de geração de biometano de Goiás, no município de Guapó, a partir de resíduos industriais. O projeto conta com investimentos de R$ 150 milhões e capacidade de produção de até 100 mil m³ por dia. Por enquanto, os ônibus serão abastecidos com biometano vindo de outros estados.

De forma geral, o biometano pode ser gerado a partir de restos de culturas agrícolas, dejetos animais, resíduos da agroindústria e lodo sanitário urbano, entre outras fontes. Quando utilizado como combustível, pode reduzir as emissões de CO₂ em até 90%. Os benefícios também incluem a redução de óxidos de nitrogênio (NOx) e de material particulado, significativamente menores em comparação ao diesel.
Os ônibus movidos a gás são desenvolvidos de fábrica, e não convertidos a partir de motores a diesel. A Scania oferece quatro modelos: K 280 4×2 (13,2 m, padrão), K 340 6×2*4 (15 m), K 340 6×2/2 (articulado) e K 340 4×2 (14 m).
A fabricante sueca já liderou a produção de ônibus movidos a gás e/ou biometano. No segmento de caminhões, a marca oferece modelos com potências de 280, 340, 420 e 460 cavalos. Entre os principais estão a linha P (como o P 280 XT, voltado à coleta) e a linha R (como o R 460), com configurações 4×2, 6×2 e 6×4, focadas na redução de até 90% das emissões de CO₂. Empresas utilizam esses veículos tanto na coleta de resíduos quanto em operações de médias e longas distâncias.
Corredor verde em Goiânia
O BRT Leste-Oeste, onde os veículos irão operar, conta com aproximadamente 108 km de extensão, 47 estações, 213 pontos de parada e 15 terminais, atendendo mais de 2,5 milhões de passageiros por mês. Consórcio BRT, Scania, Marcopolo, Biomove e Hexagon Agility desenvolveram os ônibus para atender às demandas da Nova Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (RMTC).
Além dos veículos a gás, a capital goiana também conta com ônibus articulados elétricos em sua frota.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.