O número de vendas de pneus de carga no Brasil registrou leve recuperação em julho, mas segue em retração no acumulado de 2025. Preço também não deve aumentar.
Dados do setor mostram que foram comercializadas 535.626 unidades no mês, queda de 1,4% em relação a julho do ano passado. Em comparação a junho, porém, houve alta de 4,5%, sinalizando um início de estabilização.
Os dados fazem parte do levantamento setorial divulgado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP).
Venda de pneu é desigual na reposição
O desempenho foi desigual entre os segmentos. O mercado de reposição, por exemplo, responsável pelo maior volume, somou 378.211 unidades, recuo de 3% sobre julho de 2024.
Mesmo com avanço de 4,7% frente a junho, o segmento acumula perda de 7,6% no ano, com 2,65 milhões de pneus vendidos entre janeiro e julho.
Já o fornecimento para montadoras continua em trajetória positiva. O setor entregou 157.415 unidades em julho, crescimento de 2,5% ante igual mês do ano anterior e de 4,1% sobre junho.
No acumulado, as vendas para veículos novos chegaram a 1,11 milhão de unidades, alta de 4,6%.
Com esses resultados, o mercado total de pneus de carga soma 3,76 milhões de unidades em 2025, queda de 4,3% frente ao mesmo período de 2024.
Especialistas avaliam que a retomada recente pode indicar melhora para o segundo semestre, mas a recuperação dependerá principalmente do ritmo de reposição na frota circulante.
Disputa com importados e vendas de zero quilômetro
O mercado de reposição está menor em relação a 2024, apesar de alguma melhora na margem mensal.
A retração acumulada (-7,6%) indica que o segmento ainda sente um ritmo mais fraco de renovação de frota ou menor demanda no transporte.
Por isso, é possível dizer que a reposição continua sendo o ponto fraco, pressionando o resultado total negativo.
Vale dizer que é na reposição que estão também os pneus importados, que acabam não entrando nesse balanço.
Mas qual a diferença entre o pneu importado e nacional?
Situação atual da importação de pneus no Brasil
A importação de pneus de carga no Brasil está sujeita à tarifa de importação de 16%, restabelecida em março de 2023 pelo Gecex/Camex para devolver ao setor nacional uma margem de proteção contra importações baratas.
Além das tarifas, há normas regulatórias obrigatórias foram aplicadas. Por exemplo, todos os pneus novos importados devem obedecer à Portaria INMETRO nº 379/2021, que define requisitos de avaliação da conformidade, marcações obrigatórias, dimensões, informações sobre índice de carga, velocidade, país de fabricação, entre outras características.
O que a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP) pede e a elevação temporariamente a alíquota de importação de pneus (de carga e passeio) de 16% para 35%, com objetivo de mitigar concorrência desleal e proteger empregos no setor.

Jornalista especializado em veículos e apaixonado por motores desde criança. Começou a carreira em 2000, como repórter, nas revistas Carro e Motociclismo. Atuou por mais de 10 anos em assessorias de imprensa ligadas ao mundo motor. Foi editor do Portal WebMotors e repórter do Estado de S.Paulo. Hoje, trabalha como repórter e editor no Portal Pé na Estrada.