Saldo de contratações no setor de transporte é o maior em 9 anos

Saldo de contratações é o maior em 9 anos
Saldo de contratações é o maior em 9 anos

A cada 100 contratações em 2021, pelo menos duas foram para setor de transporte. Esse dado faz parte do Painel de Evolução Mensal do Mercado de Trabalho da Confederação Nacional dos Transportes. O levantamento também mostrou que o saldo de contratações no setor de transporte é o maior em 9 anos.

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O saldo é a subtração da quantidade de demissões pelo número de admissões naquele ano. Entre 2020 e 2021 o número de admissões cresceu 24 % e o de demissões não acompanhou gerando esse resultado positivo, que podemos destacar no gráfico abaixo.

Contratações no transporte é a maior em nove anos. Fonte: Dados da Confederação Nacional do Transporte
Contratações no transporte é a maior em nove anos. Fonte: Dados da Confederação Nacional do Transporte

Nota-se que em 2020 o resultado foi de -60 mil contratações, enquanto em 2021 houve quase +80 mil. Esse salto favorável ocorreu devido ao transporte rodoviário de carga que gerou quase 95 mil admissões, o dobro de 2020. No entanto, foi arrastado para baixo por outras categorias de transporte que terminaram no negativo, como é o caso do rodoviário de passageiro que alcançou – 23 mil contratações.

O que explica saldo de contratações no setor do transporte de carga?

De acordo com João Batista Dominici, presidente da Associação Brasileira de Logística Pesada (Logispesa), o crescimento do e-comerce e de setores como a construção civil, o agronegócio, os comodities e as exportações respondem pelo aumento.

Para Lauro Valdivia, assessor técnico da Associação Nacional de Transportes de Carga e Logística (NTC), o aumento no Produto Interno Bruto de cerca de 4,2% também poderia explicar esse crescimento nas contratações no setor de transportes. Sendo o PIB a soma de todos os bens e serviços finais produzidos, seu crescimento fez com que mais produtos fossem transportados do produtor ao consumidor, exigindo mais contratações para atender à demanda.

Apesar das contratações, ofertas de salário não atraem motorista para CLT

Conversamos com três caminhoneiros que confirmaram receber frequentemente ofertas de trabalho, que são rejeitadas pelos baixos salários oferecidos. “Um transportador ganha em média R$ 2 mil com benefícios”, declara o caminhoneiro Antônio Batista da Silveira, o Tonhão, de Osasco, que trabalha com carteira assinada para uma transportadora.

O profissional acredita que esse fator contribui para que motoristas optem pela autonomia. Dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre mostram que 76% do total de transportadores de carga no Brasil são autônomos e que detém 37% do total da frota.

Antônio Lourenço, de São Paulo, deseja um caminhão próprio para trabalhar como autônomo, mas no momento acha mais vantajoso manter o vínculo empregatício. “Eu pego meu salário limpinho, se fosse para trabalhar com meu caminhãozinho, aí ia ter que melhorar o frete e o valor do diesel, não tem condições”.

Já Flávio Renato do Amaral Rodrigues, do Rio Grande do Sul, não quer trocar o autônomo pelo CLT mesmo sofrendo os impactos da elevação no valor do combustível e no repasse do transporte de mercadorias.

saldo de contratações no transporte é a maior em nove anos
O transportador autônomo Flávio acredita que diversos fatores contribuem para desmotivação dos motoristas em aderirem ao CLT

Muito além da remuneração

Para o assessor técnico da NTC, o setor está sofrendo por falta de mão de obra e que muitos empresários estão pagando mais para não perder o trabalhador.  Ele acredita em um aumento na remuneração pela escassez de profissionais para a demanda do setor.

“Não tem mão de obra, não existe motorista, muitas empresas com caminhão parado e não é um ou dois caminhões, são de 8 a 10 parados por falta de motorista, falta de mão de obra qualificada para exercer a função”, alerta o transportador autônomo Flávio Renato do Amaral Rodrigues, Rio Grande do Sul.

Além disso, ele aponta que existe uma desmotivação geral, que envolve desrespeito ao motorista, jornadas exaustivas de trabalho, falta de união entre os trabalhadores da classe e de apoio do sindicato. “O motorista de hoje não fica com a família, não tem lazer, é um escravo”, desabafa. 

Ele acrescenta que a profissão pode entrar em extinção, pois hoje a função é exercida por motoristas antigos que estão dispostos a encarar o cenário desfavorável, mas a profissão não é passada de pai para filho. “Assim como eu, muitos pais que são meus colegas não estão incentivando os filhos, então a profissão está acabando”, conclui.

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Por Jacqueline Maria da Silva

1 COMENTÁRIO

  1. Infelizmente não e a realidade no RS fez 1 ano que fiz a carteira de carreta tenho curso do mopp indivisível entre outros de gestão de combustível frota condução segura e econômica e mesmo assim não dão oportunidade nem para treinee

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