quarta-feira, junho 24, 2026

São Paulo reduz acidentes com produtos perigosos em 2025, mas mortes ainda preocupam

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A Comissão de Estudos e Prevenção de Acidentes no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (SEMIL), publicou oficialmente o Relatório Anual de Ocorrências no Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos.

O levantamento aponta uma redução de 4,69% no número de sinistros registrados em 2025, com 467 ocorrências contabilizadas, frente às 490 registradas em 2024. Apesar da queda nos acidentes, o relatório mostra que 30 ocorrências resultaram em vítimas fatais ao longo do período.

 

Produtos perigosos registram queda nos sinistros, mas número de óbitos preocupa

Para o presidente da Associação Brasileira de Transporte e Logística de Produtos Perigosos (ABTLP), Oswaldo Caixeta, a redução observada nos acidentes demonstra o comprometimento das empresas transportadoras com a segurança operacional. No entanto, o número de vítimas fatais merece mais atenção.

Para a ABTLP, qualquer número diferente de zero é inaceitável, porque estamos falando de vidas humanas e famílias impactadas. No entanto, essa queda no número geral de acidentes é reflexo de investimentos contínuos em capacitação de motoristas, gestão de riscos, manutenção preventiva da frota e adoção de tecnologias de monitoramento e controle”, afirmou o dirigente.

Entre os tipos de sinistros registrados em 2025, as colisões traseiras concentraram a maior parcela das ocorrências, respondendo por 36% do total. Na sequência aparecem os choques (15%), as colisões laterais (12%) e os tombamentos (11%). O levantamento mostrou ainda uma concentração maior de acidentes entre maio e julho. O período reflete os maiores índices do ano, com destaque para julho, que contabilizou 49 ocorrências.

Segundo Oswaldo Caixeta, esse tipo de dado reforça a importância de a entidade atuar não apenas na capacitação dos motoristas profissionais, mas também na conscientização de todos que compartilham as estradas.

“As colisões traseiras passaram a ocupar as primeiras posições entre os tipos de ocorrências envolvendo o transporte de produtos perigosos. Isso chama a atenção porque demonstra que muitos dos riscos enfrentados pelas nossas operações não estão necessariamente ligados apenas ao veículo transportador ou à carga, mas também ao comportamento dos demais usuários das rodovias.”

 

Entidade irá reforçar programas de prevenção

Os dados levantados pela Comissão servirão de base para a ABTLP desenvolver o estudo “Panorama de Sinistros: Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos no Estado de São Paulo 2025”. Ele será lançado em breve e estará disponível para todos os associados da entidade.

Além de apresentar um panorama geral das ocorrências no estado, o estudo auxiliará as transportadoras na identificação dos principais fatores de risco. Assim como no direcionamento de investimentos em treinamento, tecnologia e gestão operacional. As informações também fornecerão subsídios importantes para órgãos reguladores, equipes de fiscalização e demais profissionais envolvidos na cadeia logística.

A aplicação prática dos dados do relatório já resultou em iniciativas voltadas ao fortalecimento da segurança operacional. Um exemplo foi o desenvolvimento do curso de Combinação de Veículos de Carga (CVC), realizado pela ABTLP em parceria com o SEST SENAT.

“A iniciativa surgiu a partir da análise dos dados de ocorrências, que apontaram um número relevante de tombamentos envolvendo esse tipo de veículo, evidenciando a necessidade de reforçar a capacitação e a conscientização dos profissionais do setor”, explicou o presidente da associação.

Na avaliação da ABTLP, os resultados refletem os investimentos realizados pelo setor. Além dos avanços regulatórios e do fortalecimento da fiscalização, mas ainda existem desafios importantes.

“Ao longo dos anos, as empresas especializadas investiram muito em treinamento, gestão de riscos, tecnologia e desenvolvimento de uma verdadeira cultura de prevenção. Mas a segurança no transporte de produtos perigosos é resultado do compromisso de todos os envolvidos nessa cadeia. Precisamos de rodovias melhores, áreas seguras para parada, locais adequados para atendimento de emergências e de um ambiente que valorize as empresas que investem e trabalham corretamente”, finalizou Caixeta.

 

Curso MOPP não exige mais renovação

Entre as iniciativas voltadas à segurança no transporte de produtos perigosos, uma mudança recente também chama a atenção do setor: o fim da exigência de renovação periódica do curso de Movimentação Operacional de Produtos Perigosos (MOPP).

As mudanças constam nas novas diretrizes do Ministério dos Transportes para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

O objetivo é reduzir custos, simplificar os processos de emissão e renovação da CNH. Além de retirar motoristas da informalidade, o Governo Federal estabelece novas regras para os cursos obrigatórios voltados ao transporte de cargas e passageiros.

A Resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) é nº 1.020, de dezembro de 2025. Ela estabelece os procedimentos para emissão da CNH e promove alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Pelas novas regras, o curso MOPP que antes precisavam ser renovados a cada cinco anos, passam a ser exigidos apenas uma vez, sem necessidade de renovação periódica.

Para a Transkompa, a mudança não deverá comprometer a segurança no trânsito, já que a empresa oferece o curso em suas instalações. Confira a reportagem completa sobre o fim da exigência de renovação.

 

Veja também: O caminhão é meu, preciso de curso MOPP?

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

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