quinta-feira, março 12, 2026

Caminhoneiros deixam de pagar taxa de triagem em portos do Pará após decisão judicial

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Na última segunda-feira (9), a Justiça do Trabalho determinou a suspensão imediata da cobrança de taxas de triagem para carregamento e descarregamento de caminhões em operações portuárias no Pará. A decisão veio por meio de uma liminar concedida pelo juiz Deodoro José de Carvalho Tavares, da Vara do Trabalho de Itaituba.

Na ação, reportada pela Agência Transporte Moderno, a medida atende a um pedido apresentado pela Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), que argumenta que a cobrança dessas taxas por empresas que operam na região descumpre a Lei 13.103/2015, conhecida como Lei do Caminhoneiro.

 

Abrava fez pedido com base na Lei do Caminhoneiro

Na justificativa, a entidade afirma que transportadores estariam sendo obrigados a pagar valores para realizar a triagem necessária para acesso às operações de carga e descarga. Segundo a associação, a prática gera custos adicionais e impacta diretamente os motoristas profissionais.

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que há indícios de descumprimento da legislação e risco de dano caso a cobrança continue sendo realizada durante a tramitação do processo. Por isso, determinou a suspensão imediata das taxas até a decisão final da ação.

Segundo o Art. 9º, inciso 1º, da lei, é vedada a cobrança ao motorista ou ao seu empregador pelo uso ou permanência em locais de espera sob a responsabilidade de:

I – transportador, embarcador ou consignatário de cargas;

II – operador de terminais de cargas;

III – aduanas;

IV – portos marítimos, lacustres, fluviais e secos;

V – terminais ferroviários, hidroviários e aeroportuários.

 

Multa de R$ 1 mil prevista em caso de descumprimento

A decisão também estabelece multa diária de R$ 1 mil para cada empresa envolvida em caso de descumprimento da ordem judicial. Entre os réus estão operadores portuários, empresas do agronegócio e a Companhia Docas do Pará, responsável pela gestão do porto.

Wallace Landim, conhecido no meio como Chorão e presidente da Abrava, comemorou a decisão nas redes sociais. Ele também reforçou que, caso algum caminhoneiro receba alguma cobrança que descumpra a ordem do Ministério Público do Trabalho no Pará e no Amapá, procure a associação. Assista ao pedido do representante dos caminhoneiros.

Caminhoneiros deixam de pagar taxa de triagem em portos do Pará após decisão judicial

 

Caos no porto de Miritituba em mais um ano

Não é de hoje que o Porto de Miritituba, no Pará, é alvo de reclamações. No começo do ano, as longas filas de caminhões para acesso à região portuária deixaram caminhoneiros à deriva, sem qualquer infraestrutura. O problema é enfrentado pelos motoristas todos os anos, já que a região é rota de escoamento de safra, principalmente vinda do Mato Grosso.

Além disso, o acesso pela BR-163 (Rodovia Cuiabá–Santarém) possui longos trechos sem pavimentação, além da lama que se forma na pista quando chove, agravando ainda mais o problema.

Com isso, a decisão do MPT envolve também operações no Porto de Vila do Conde, localizado em Barcarena, um dos principais polos logísticos do chamado Arco Norte.

Contudo, somados o pico da safra, as dificuldades de acesso à região e as grandes filas de caminhões nas áreas de triagem, o tempo de espera dos motoristas só aumenta. Por isso, as discussões sobre taxas cobradas para triagem ou acesso aos pátios logísticos aqueceram as reclamações e resultaram no pedido da Abrava.

A retirada das taxas pagas pelos caminhoneiros seguirá enquanto durar a tramitação do processo na Justiça do Trabalho, até que o caso seja analisado em audiência para uma decisão final.

 

Veja também: Portos e terminais devem ser obrigados a oferecer infraestrutura aos motoristas

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