Falta de infraestrutura causa caos no porto de Miritituba em mais um ano

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Caminhoneiros que transportam a nova safra de soja rumo ao porto de Miritituba enfrentam enormes filas e falta de infraestrutura há mais de uma semana. Com escassez de comida, água e informações, os motoristas têm recorrido a vídeos na internet para dar visibilidade à situação e tentar sensibilizar as autoridades.

Segundo relatos, não é a primeira vez que isso acontece. O porto de Miritituba, localizado no sudoeste do Pará, registra congestionamentos todos os anos durante o escoamento da produção, principalmente a que vem do Mato Grosso. O principal acesso à região portuária é feito pela BR-163 (Rodovia Cuiabá–Santarém), que, conforme os relatos, ainda possui longos trechos sem pavimentação. Com as chuvas, a rodovia se transforma em lama, agravando ainda mais o problema.

 

Concessionária não cumpriu pavimentação da rodovia

De acordo com informações do portal Sorriso News MT, a fila de caminhões já ultrapassa 40 quilômetros, provocando congestionamentos severos e impactando diretamente a rotina, a segurança e as condições humanas dos trabalhadores que aguardam para descarregar.

Já segundo Edeon Vaz, diretor-executivo da ADECON — Agência de Desenvolvimento Sustentável das Hidrovias e dos Corredores de Exportação —, em entrevista ao canal AgroMais, o problema é essencialmente rodoviário. Para ele, a falta de pavimentação nas estradas de acesso aos terminais de Miritituba causa transtornos para toda a região.

Edeon afirmou que a concessionária deveria ter entregue o acesso há dois anos. A responsável é a Via Brasil BR-163 (Grupo Conasa), que administra os 1.009 quilômetros entre Sinop–MT e Miritituba-PA. Segundo o executivo, atualmente o tráfego ocorre por uma via provisória, aberta em 2014. Como se trata de uma pista simples e não pavimentada, basta um caminhão atravessar o acesso para que todo o fluxo seja interrompido.

Ainda conforme Edeon, a situação só deverá melhorar com a entrega definitiva do acesso. A concessionária já iniciou as obras e prevê a implantação de duas pistas — uma de ida e outra de retorno —, o que, na avaliação do diretor da ADECON, pode trazer melhorias a partir do próximo ano.

Na entrevista, o executivo destacou que a produção tende a crescer. No ano passado, o mercado registrou 16,5 milhões de toneladas escoadas. Para este ano, a meta é atingir entre 17 e 18 milhões. Já para 2040, a expectativa é de 40 milhões de toneladas. Diante desse cenário, segundo a agência, a solução definitiva passa pela implantação da Ferrogrão, ferrovia projetada para atender a essa demanda crescente.

 

Falta de infraestrutura agrava escassez de motoristas no setor

Não é de hoje que o Pé na Estrada alerta para os fatores que contribuem para a falta de motoristas no transporte rodoviário de cargas. Além de salários compatíveis com a profissão e maior valorização social, o setor aponta a falta de infraestrutura adequada nos pontos de carga e descarga como uma das principais razões para o afastamento de profissionais.

No Fórum Pé na Estrada, realizado em agosto do ano passado, Fábio Muraro, da Muraro Logística — empresa que atua no transporte para portos e terminais de carga —, relatou as dificuldades enfrentadas devido à precariedade da infraestrutura nos locais de embarque e desembarque.

“Como o motorista vai se sentir valorizado se ele chega ao porto ou ao posto e não tem nem sabonete para lavar a mão? E se apenas ele é obrigado a fazer exame toxicológico?”, questionou.

Muraro também afirmou que o embarcador não demonstra preocupação com a falta de motoristas nem com as condições de transporte. Segundo ele, o dono da carga não se importa se leva a mercadoria em um caminhão ou até em um jegue; o importante é que chegue ao destino.

Essa mentalidade, segundo o empresário, desvaloriza toda a cadeia do transporte, da transportadora ao motorista — principal agente para que a carga chegue ao cliente final.

 

Veja também: BR-163 em Mato Grosso recebe mais de 130 km de pistas duplicadas

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