Os pneus de carga puxaram a indústria de pneumáticos para baixo neste primeiro bimestre, com queda de 14,9%. A indústria brasileira de pneus fechou os dois primeiros meses do ano com vendas em baixa, pressionada por importações de países asiáticos.
A venda total de pneus produzidos no país em janeiro e fevereiro somou 5,5 milhões de unidades, volume 10,6% menor que os 6,1 milhões comercializados no mesmo período de 2025. Os dados são da ANIP (Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos).
No primeiro bimestre, as vendas para o mercado de reposição encolheram 10,1%. No mesmo intervalo, as vendas para montadoras caíram 11,5%, passando de 2,1 milhões de unidades no primeiro bimestre de 2025 para 1,9 milhão neste ano.
Pneus de carga tiveram o pior resultado do 1º bimestre
No total acumulado, o primeiro bimestre de 2026 registrou o menor volume de vendas desde 2019, passando de 7,5 milhões de unidades para 5,5 milhões — uma queda de 27,5%.
De acordo com o levantamento da ANIP, as vendas de pneus de carga foram as mais afetadas pela retração, com queda de 14,9%. No segmento de passeio, a queda foi de 9,8%. Já no segmento de motocicletas, houve estabilidade.
ANIP entrega manifesto ao Governo Federal
A participação de mercado dos pneus nacionais fechou o primeiro bimestre em 31%, abaixo dos 41% registrados no mesmo período de 2025. Em 2021, o índice era de 63%.
“Seguimos em diálogo com o governo e já contamos com o apoio de entidades do nosso ecossistema para que sejam tomadas medidas contra a concorrência desleal”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP.
“No manifesto que enviamos no início de março ao Governo Federal, assinado por 40 entidades, pedimos medidas urgentes para trazer maior equilíbrio ao mercado”, afirma Navarro.
Entre as medidas apresentadas pela ANIP e pelos signatários estão:
- Estabelecimento de Licenciamentos Não Automáticos (LNAs), com base em valores internacionalmente praticados, análise documental detalhada (antifraude) e comprovação do cumprimento de metas ambientais, além de eventuais medidas de salvaguarda;
- Celeridade na análise e adoção de direito provisório nas investigações antidumping em curso;
- Estímulo a compras governamentais e a linhas de financiamento para pneus com conteúdo local significativo e que cumpram a legislação ambiental e técnica vigente;
- Adoção de medidas tarifárias alinhadas às praticadas por países com base industrial forte;
- Implementação da Política de Estímulo à Produção da Borracha no Brasil, em fase final de elaboração pelo Governo Federal.
Segundo o presidente, trata-se de um pacote para restabelecer condições de isonomia e preservar a indústria nacional e seu ecossistema, que atualmente emprega 35 mil pessoas diretamente e mais de 500 mil indiretamente. Sem medidas de contenção, há risco de perda de empregos, queda de investimentos, desindustrialização e impactos na soberania nacional, já que o produto é considerado um insumo estratégico para o país.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.