quinta-feira, junho 18, 2026

Caminhoneiro é baleado e motoristas denunciam insegurança em unidade da Petrobras

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Motoristas têm relatado ao Pé na Estrada o descaso que enfrentam na unidade da Petrobras em Santos (SP). A falta de infraestrutura, problemas de higiene e até situações de insegurança, como o caso de um caminhoneiro baleado nas proximidades da empresa, são apontados como exemplos da forma como a companhia trata os prestadores de serviço que chegam ao local.

O programa questionou a Unidade da Bacia de Santos (BS), responsável por operar a maior parte do pré-sal brasileiro e movimentar cerca de 3.500 trabalhadores diretos, além de motoristas de transportadoras e terceiros. Em resposta, a empresa afirmou que questões relacionadas à segurança pública são de responsabilidade das autoridades competentes.

 

Motoristas relatam desrespeito, falta de infraestrutura e violência

Um dos motoristas que transporta óleo para exportação de Betim (MG) para Santos (SP) mostrou a situação à qual os caminhoneiros são submetidos. Segundo ele, os profissionais não têm acesso a banheiros com chuveiro nem a bebedouros para abastecer garrafas de água. Além disso, são multados com frequência por estacionamento irregular.

No caso desse motorista, a espera para descarregar chegou a cinco dias. Durante esse período, o banho quente custava R$ 10. Além da falta de infraestrutura, ele relata a presença de usuários de drogas na região, que furtam cabos dos caminhões e abordam constantemente os profissionais para pedir dinheiro.

O caminhoneiro também denunciou o acúmulo de lixo nas ruas próximas ao terminal, consequência da falta de coleta e limpeza urbana. Nesses locais, os motoristas são obrigados a permanecer por dias aguardando a descarga.

Sobre as filas, ele afirma que três ruas ficam tomadas por caminhões-tanque, com cerca de 60 veículos aguardando atendimento simultaneamente.

Com a alta demanda, segundo o relato, os funcionários tratam os motoristas com desdém. O profissional afirma que não existe um sistema de agendamento para descarga, apenas uma lista de chegada.

As principais prestadoras de serviço são a TWM Transportes Especiais e a Fátima Transportes, que concentram a maior parte dos caminhões agregados responsáveis pelo transporte da carga da petroleira.

A situação mais grave ocorreu quando um caminhoneiro foi baleado. O episódio reforça a sensação de insegurança e amplia o desgaste emocional dos profissionais.

Recentemente, o Pé na Estrada abordou o tema da saúde mental dos caminhoneiros, que enfrenta um cenário preocupante. O programa ouviu o relato de um profissional com mais de 20 anos de estrada que chegou ao esgotamento psicológico e recebeu diagnóstico de burnout.

 

Petrobras afirma que atua em conjunto com autoridades

A petroleira respondeu ao Pé na Estrada por meio da seguinte nota:

“A operação de um terminal logístico em uma área urbana densamente povoada, como Santos, envolve desafios complexos e demanda atuação integrada com diversos agentes. Nesse contexto, eventuais intercorrências operacionais são tratadas de forma contínua, sempre orientadas pelos valores da Petrobras.

A companhia informa que mantém interlocução permanente com as autoridades competentes em relação aos temas de segurança pública no entorno do Terminal de Santos, unidade operada por meio da Transpetro, sua subsidiária integral, e que encontram-se em andamento estudos para o aprimoramento da infraestrutura de apoio, otimização e previsibilidade operacional.

Por fim, a Petrobras reitera seu compromisso com a segurança, a saúde, o respeito e o bem-estar dos motoristas e de todos os profissionais que atuam em suas instalações.”

O Pé na Estrada sempre defendeu que empresas embarcadoras e desembarcadoras devem tratar os motoristas com o mínimo de respeito. Além de serem seres humanos, são esses profissionais que garantem que as cargas cheguem aos clientes.

O mínimo que se espera de uma empresa onde o motorista precisa aguardar dias para carregar ou descarregar é que ela ofereça infraestrutura adequada para essa espera. A valorização do caminhoneiro deve partir de toda a sociedade, mas também precisa começar pelas empresas que dependem diretamente de seu trabalho. Quando o respeito vem do embarcador, a tendência é que ele se reflita em melhores condições para toda a cadeia logística.

 

Veja também: Norma NR-1: Transportadoras terão que se preocupar com a saúde mental dos motoristas

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

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