A escassez de motoristas profissionais e a jornada de trabalho têm se consolidado como alguns dos principais desafios para a sustentabilidade e a competitividade do TRC (transporte rodoviário de cargas) no Brasil.
O tema foi destaque na apresentação da diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Fernanda Rezende. O tema do painel foi: O futuro do TRC já começou: escassez de mão de obra, novas relações de trabalho e os impactos para o setor, realizado no XVI Seminário sobre Relações Trabalhistas no Transporte Rodoviário de Cargas.
65% das transportadoras apontam falta de motoristas
Ao apresentar o panorama do segmento, Fernanda Rezende destacou a importância estratégica do TRC para a economia nacional. Dados apresentados pela diretora mostram que 65,1% das empresas apontam a função de motorista como a de maior carência de profissionais, enquanto 44,6% afirmam possuir vagas em aberto. O modal responde por 64,85% da matriz de transporte de cargas, concentra 44% da receita setorial e mantém 1,3 milhão de vínculos ativos de trabalho no TRC. Com isso, gerou 47.440 novos postos de emprego em 2025.
A diretora executiva também compartilhou resultados da pesquisa Perfil e Preferências dos Caminhoneiros em Relação às Suas Atividades Profissionais, realizada em 2025 com 800 profissionais de todo o país. O levantamento trouxe informações sobre jornadas de trabalho, períodos de descanso, quilometragem percorrida e preferências dos trabalhadores em relação à organização das atividades. O que contribuiu para qualificar o debate sobre as transformações nas relações de trabalho e os impactos das decisões regulatórias para o setor.
“Os dados evidenciam que a escassez de mão de obra é uma realidade constante para o transporte rodoviário de cargas e exige atenção de todo o setor. É fundamental que as discussões sobre relações de trabalho e eventuais aperfeiçoamentos regulatórios considerem evidências, os impactos econômicos e a necessidade de garantir condições que preservem a competitividade das empresas e a atratividade da profissão”, afirmou Fernanda Rezende.
Falta de motoristas já é um problema antigo
O Pé na Estrada vem alertando para a falta de motoristas há algum tempo. No primeiro episódio do Pé na Estrada Cast, Pedro Trucão e Paula Toco voltaram a abordar o tema, que continua repercutindo no setor de transportes. Entre os assuntos discutidos, destacou-se um contraponto à escassez de profissionais: muitos caminhoneiros reclamam da falta de oportunidades para ingressar na profissão.
Para enfrentar esse problema, grandes transportadoras têm investido em planos de carreira, programas de formação para motoristas e até ampliado a contratação de mulheres. Confira o episódio completo abaixo.
Veja também: Norma NR-1: Transportadoras terão que se preocupar com a saúde mental dos motoristas

Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.