A ameaça de greve dos caminhoneiros voltou a ganhar força caso o Senado Federal não vote a Medida Provisória (MP) 1.343/2026, que deve caducar em 16 de julho. Se perder a validade, deixam de vigorar medidas que reforçam as garantias do pagamento do piso mínimo do frete rodoviário. O tema voltou ao debate nesta semana após declarações do presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão.
Segundo ele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), está adiando a votação da MP do Frete, já aprovada pela Câmara dos Deputados. A pauta gera interesses de setores do agronegócio e da indústria para que a medida não seja mantida, sob o argumento de que o piso mínimo do frete eleva os custos do transporte e pressiona os preços.
Caminhoneiros podem parar se a MP do Frete não for votada
O Governo editou a MP 1.343 para evitar uma paralisação dos caminhoneiros no início do ano, quando a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã elevou o preço do diesel. Além dessa preocupação imediata, a medida também atendeu reivindicações antigas da categoria, como o fortalecimento da fiscalização da tabela do frete mínimo, prevista em lei desde 2018, mas que os transportadores consideravam insuficientemente aplicada.
Além da MP do Frete, o governo adotou outras medidas para conter a alta do diesel e evitar que a greve dos caminhoneiros se concretizasse.
Uma das principais conquistas que os caminhoneiros não querem perder é o bloqueio da geração do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) quando o valor negociado estiver abaixo do piso mínimo do frete. A medida também prevê multas de até R$ 10 milhões para transportadoras que descumprirem a tabela do frete mínimo. Além do cancelamento do Registro Nacional do Transportador Rodoviário de Cargas (RNTRC).
“A medida traz segurança para nossa categoria, dá autonomia para a ANTT fazer a fiscalização para que a gente possa trabalhar com tranquilidade. Ela estabelece uma planilha de custo mínimo para acabar com o frete de retorno, trata da questão do INSS, acaba com a multa nas balanças referente à equalização de eixos e dá autonomia para a ANTT fazer essa equalização, porque muitos transportadores estão sem trabalhar”, afirma Chorão.
O presidente da Abrava afirma ainda que, se o Senado não votar a MP, o presidente da Casa terá de “segurar uma greve”. Uma paralisação pode afetar diversos setores da economia e provocar desabastecimento, já que o transporte rodoviário movimenta cerca de 60% das cargas no Brasil.
Outros setores influenciam o debate
Setores do agronegócio e da indústria já se manifestaram contrários às medidas adotadas pelo governo para reforçar o cumprimento da tabela do frete mínimo. Algumas empresas já conseguiram na Justiça suspender multas aplicadas pela ANTT por descumprimento da regra.
Em abril, a Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar a duas empresas para suspender multas e autos de infração aplicados pela ANTT.
A advogada Fran Curse afirmou ao Pé na Estrada que esse cenário já era esperado. Uma vez que, desde a criação da tabela do frete, em 2018, a Justiça vem acolhendo ações de empresas que questionam sua constitucionalidade.
A decisão beneficiou a Bombril, fabricante de produtos de limpeza, e a transportadora BB Logística. O juiz Carlos Alberto Loverra, da 1ª Vara Federal de São Bernardo do Campo, entendeu que “o perigo de dano é grave e atual, demonstrando que as autoras acumulam 247 autuações geradas pelo sistema automatizado desde outubro de 2025, totalizando passivo superior a R$ 129 mil”.
O magistrado acrescentou que a MP editada em março deste ano agravou ainda mais o quadro. Segundo a decisão, os danos decorrentes como paralisação de operações logísticas, impedimento de emissão de documentos fiscais e eventual cancelamento do registro de transporte, são de difícil ou impossível reversão posterior.
Enquanto isso, a MP 1.343 aguarda votação no Plenário do Senado desde 30 de junho. Como a medida tramita em regime de urgência, o Senado precisa aprová-la até 16 de julho para evitar que ela perca a validade. Se os senadores alterarem o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, a proposta precisará retornar aos deputados antes de seguir para sanção presidencial.
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Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.
Tem que parar tudo. Os empresários que repassem os valores do frete para os produtos. Nao tem que ficar roubando dos caminhoneiros. Todos tem que pagar.
Esta bancada ruralista é um câncer para o Brasil.