Ser caminhoneiro autônomo no Brasil não é fácil. Afinal, o profissional precisa lidar com a alta do preço do diesel, com o pagamento de fretes que muitas vezes não segue o piso mínimo estabelecido e, ainda, equilibrar as contas para garantir lucro no fim do mês.
No entanto, essa categoria de motorista profissional de cargas também tem algumas vantagens em comparação com o caminhoneiro empregado, principalmente relacionadas à autonomia e à flexibilidade na rotina de trabalho.
Em 2025, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou 51.024 novos registros no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) para Transportadores Autônomos de Cargas (TACs). Esse foi o segundo maior número anual de novos cadastros de transportadores autônomos em 21 anos de exigência do registro. O resultado ficou atrás apenas de 2005, quando cerca de 68 mil TACs entraram no mercado.
A média de idade dos TACs que se cadastraram em 2025 foi de 42 anos, abaixo da média da categoria, de 46 anos. O ingresso na atividade permanece concentrado nas faixas entre 35 e 50 anos, principalmente entre 38 e 44 anos. A ANTT também registrou uma participação significativa de novos transportadores com mais de 50 anos.
Atualmente, existem cerca de 620 mil transportadores autônomos com RNTRC ativo. Desse total, 85% possuem um veículo de tração, enquanto 11,7% têm dois veículos e 3,3% possuem três veículos.
Entre os profissionais que se tornaram TACs em 2025, 94,8% tinham apenas um veículo de tração. Outros 4,5% possuíam dois veículos e 0,7% tinham três.
Outro levantamento aponta uma redução no número de motoristas profissionais no país
Nos últimos anos, o setor de transporte rodoviário de cargas passou por transformações significativas. “Com as recentes mudanças da ANTT, o aumento das exigências fiscais e o avanço das plataformas e soluções digitais, o caminhoneiro autônomo precisa estar cada vez mais preparado para se adaptar e atuar de forma regular e competitiva no mercado”, avalia André Pimenta, CEO da Motz, transportadora que conecta embarcadores a caminhoneiros autônomos e transportadoras na logística do agronegócio e da construção civil.
De acordo com um estudo do ILOS, elaborado com base em dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), o Brasil tinha cerca de 4,4 milhões de motoristas profissionais em 2025. Apesar do número expressivo, o levantamento aponta uma redução de 22% em relação a 2024.
Quais são as vantagens de ser caminhoneiro autônomo no Brasil?
Com base na movimentação do setor e na experiência com caminhoneiros autônomos, a Motz destaca três vantagens relacionadas ao trabalho por conta própria. São elas:
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Independência nas decisões
De acordo com dados da FGV IBRE, 55% dos profissionais autônomos, de maneira geral, escolhem esse modelo de trabalho por vontade própria, tendo a independência e a flexibilidade como alguns dos principais atrativos.
Para os caminhoneiros que optam por esse regime, a lógica é semelhante. O profissional pode definir as rotas, os tipos de carga que deseja transportar e as empresas com as quais pretende trabalhar.
Essa independência permite buscar fretes mais vantajosos, evitar rotas que não compensam financeiramente e atuar em regiões que ofereçam melhores condições de segurança e rentabilidade. Por outro lado, o modelo também exige responsabilidade e planejamento para manter a operação ativa e controlar os custos.
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Controle financeiro e potencial de ganhos
Segundo o CEO da Motz, diferentemente do regime CLT, o caminhoneiro autônomo pode ampliar os ganhos de acordo com o volume de viagens e a eficiência na gestão da atividade. Para isso, o profissional precisa organizar as finanças e administrar fatores como disponibilidade, planejamento e produtividade.
“Por isso, é preciso ficar atento à saúde física e mental. Essa atenção deve existir tanto por parte do empregador quanto do próprio autônomo, buscando sempre equilibrar o trabalho com a qualidade de vida e prezando pela segurança e bem-estar dos profissionais”, afirma Pimenta.
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Autonomia como empreendedor
O caminhoneiro autônomo também precisa administrar o próprio veículo, a agenda de viagens, as parcerias e os investimentos. Essa autonomia traz desafios, como lidar com a manutenção do caminhão e controlar as despesas, mas também permite que o profissional tenha maior participação nas decisões relacionadas ao próprio trabalho.
“Essa independência vai além de questões financeiras, trazendo também liberdade para escolha de horário de trabalho, rota mais adequada e pausas estratégicas. Para melhor aproveitamento do tempo, com o apoio de ecossistemas parceiros, é possível gerenciar tudo com mais solidez e eficiência”, acrescenta o CEO.
Empresas oferecem benefícios para atrair caminhoneiros autônomos
Com o crescimento da busca por profissionais autônomos, empresas do setor também têm criado programas de benefícios para atrair e fidelizar caminhoneiros.
A Motz, por exemplo, oferece um Clube de Benefícios por meio de parcerias que disponibilizam descontos em serviços como telemedicina e farmácias, além de opções relacionadas a combustível e financiamento de caminhões.
“Na nossa plataforma, além do sistema de suporte, também ajudamos nesse processo de segurança financeira ao firmar nosso compromisso com o caminhoneiro sobre fretes seguros e com pagamento garantido, reduzindo o tempo ocioso e melhorando o fluxo financeiro dos motoristas. Junto a isso, garantimos o pagamento que pode ir até 90% do valor total já no carregamento e também o gerenciamento de INSS e emissão de impostos, documentos e apólices, trazendo mais segurança para o profissional”, completa o executivo.
O Pé na Estrada também conheceu o programa de pontos da JSL, criado como uma estratégia para atrair e reter profissionais autônomos. Por meio do programa Estrada de Prêmios, os motoristas acumulam pontos que podem ser trocados por produtos e descontos, como pneus, eletrodomésticos, ferramentas e serviços.
A iniciativa tem como referência o funcionamento de aplicativos de transporte, nos quais o profissional recebe uma solicitação e pode aceitar ou recusar o serviço. No transporte de cargas, porém, a operação é mais complexa, já que cada mercadoria exige um veículo adequado, além de envolver etapas como carregamento e descarregamento.
Nesse modelo, o motorista aparece como disponível na plataforma e pode aceitar ou recusar uma carga. O programa acumula pontos na proporção de um para um sobre o valor transportado. Assim, um frete de R$ 10 mil gera 10 mil pontos.
Atualmente, a empresa conta com cerca de 900 inscritos no programa e pretende alcançar 10 mil usuários até julho.
Imersão Caminhoneiro que Lucra mostra caminhos para aumentar a rentabilidade
Você gosta da profissão, mas enfrenta dificuldades para trabalhar como motorista profissional no Brasil? O Pé na Estrada já conversou com diversos caminhoneiros que conseguiram construir uma trajetória profissional, seja como autônomos ou empregados.
Mas como aumentar a rentabilidade na profissão? Essa é uma das questões que serão abordadas na Imersão Caminhoneiro que Lucra, marcada para 3 de outubro.
O evento reunirá profissionais especializados em mercado, finanças, planejamento pessoal e outros temas relacionados à atividade. A proposta é apresentar aos motoristas informações e estratégias para melhorar a gestão da carreira e da operação.
Serviço – Caminhoneiro que Lucra
Local: Butantã – São Paulo (SP)
Data: 3 de outubro
Horário: das 8h às 18h
Valor: R$ 47,90
Inscrições: caminhoneiroquelucra.com.br

Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.