A carga valiosa que a supercarreta transportava nesta semana era um transformador gigante, com frete avaliado em 2 milhões de reais. A operação especial parou trechos da Rodovia Presidente Dutra, em São Paulo, para a passagem do conjunto de veículos com 380 pneus, cerca de 120 metros de comprimento e 540 toneladas de peso.
4 cavalos mecânicos puxam a supercarreta
Segundo informações do portal G1, o equipamento, fabricado em Guarulhos, na Grande São Paulo, é o quarto de uma encomenda de 14 unidades destinadas ao projeto Neom, uma megainiciativa na Arábia Saudita que pretende criar uma cidade linear de 170 quilômetros de extensão movida a energia renovável.
Para permitir o deslocamento com segurança pela principal rodovia do país, o peso foi distribuído ao longo da supercarreta — um conjunto modular e desmontável, projetado para atravessar pontes e viadutos sem ultrapassar os limites estruturais.
O custo do frete milionário inclui estudos técnicos, autorizações especiais, escoltas, equipes de engenharia e pedágios — que aumentam conforme o número de eixos, superior a 50 nesse tipo de composição.
Ao todo, o conjunto é formado por quatro caminhões conectados, escolhidos de acordo com a Capacidade Máxima de Tração (CMT).

Segundo a transportadora, o peso bruto total chega a cerca de 850 toneladas, o que exige caminhões com potência compatível. Na operação, a equipe usa quatro cavalos mecânicos com 300 toneladas de CMT cada. Além de caminhões-reserva acompanhando o trajeto.
O reforço é essencial em rodovias sinuosas, com aclives longos e curvas fechadas.
Onde terminou a operação?
Após a saída do transformador da fábrica, em Guarulhos, o comboio seguiu por vias urbanas até o acesso à Dutra. O destino da operação brasileira é no no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro.
No porto, a equipe desmontou a supercarreta para embarcar a carga em um navio, já que o conjunto completo não consegue acessar o terminal devido às dimensões.
Antes de a carga sair da fábrica, é preciso obter a Autorização Especial de Trânsito (AET), emitida pelo DNIT. As autoridades só concedem o documento após estudos que avaliam pontes, viadutos e o traçado da rodovia.
A programação envolve ainda a Polícia Rodoviária Federal e a concessionária CCR RioSP. Só depois disso, a equipe carrega o transformador na fábrica, leva-o para uma área externa e o acopla, módulo por módulo, à supercarreta.
Com dezenas de metros de comprimento e centenas de pneus, a supercarreta exige bloqueios temporários, operação em contramão e circulação em horários de menor fluxo, geralmente à noite ou de madrugada. O objetivo é garantir a segurança e distribuir o peso de forma uniforme sobre o asfalto e as estruturas da via.
Chegada ao porto
Como o conjunto é desmontável, a carreta não entra inteira no porto. Isso é possível porque, dentro do terminal, não há pontes ou viadutos que concentrem peso — o maior desafio desse tipo de transporte.
Depois do embarque, o transformador segue de navio para a Arábia Saudita. Lá no continente asiático toda a operação se repete: montagem da supercarreta, transporte rodoviário e entrega no destino final.
O transporte é parte de uma série de entregas internacionais e deve se repetir nos próximos meses, com novas interdições programadas conforme o avanço do cronograma. O transformador tem 11 metros de comprimento por seis de largura. Além disso, a potência conjunta dessas unidades seria suficiente para abastecer duas cidades do tamanho de São Paulo.
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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.