quarta-feira, julho 22, 2026

Falta de motoristas no mundo: 2,9 milhões de vagas estão sem preencher em 18 mercados

NotíciasFalta de motoristas no mundo: 2,9 milhões de vagas estão sem preencher...

Engana-se quem pensa que a falta de motoristas se restringe ao Brasil. A escassez de profissionais deixou de ser uma preocupação pontual e passou a representar um desafio estrutural para o transporte rodoviário de cargas. Essa é a avaliação do assessor jurídico do SETCESP, Narciso Figueirôa Junior, em artigo que reúne dados da International Road Transport Union (IRU), da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT) para analisar o cenário da profissão no Brasil e no exterior.

Segundo o relatório global da IRU, divulgado em 30 de junho de 2026, existem cerca de 2,9 milhões de vagas para motoristas de caminhão não preenchidas em 18 mercados. O levantamento também aponta que aproximadamente 20% da força de trabalho de motoristas na Europa e 24% na Austrália devem se aposentar nos próximos cinco anos, enquanto a participação feminina na profissão permanece reduzida.

Na avaliação de Figueirôa, o cenário internacional demonstra que a escassez de profissionais não está restrita ao Brasil. “A escassez de motoristas deixou de ser um fenômeno conjuntural e passou a constituir um problema estrutural do transporte rodoviário de cargas em praticamente todas as regiões do mundo”, afirmou.

 

A falta de motoristas no Brasil preocupa o setor

O diagnóstico também aparece no cenário brasileiro. De acordo com estudos do Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC), citados pelo assessor jurídico, o país perdeu 1,17 milhão de motoristas habilitados nas categorias C e E na última década. Além disso, mais de 71% dos profissionais têm entre 41 e 70 anos, menos de 5% possuem até 30 anos. Outro dado aponta que 88% das empresas de transporte relatam dificuldade para contratar motoristas.

A pesquisa da CNT, realizada entre 25 de setembro e 3 de outubro de 2025, ouviu 800 motoristas profissionais em 58 postos de combustíveis distribuídos por seis estados, abrangendo as cinco regiões do país.

O levantamento mostra que os entrevistados percorrem, em média, 9.859 quilômetros por mês e que 59,1% atuam em rotas de longa distância, com percursos superiores a 500 quilômetros por dia. A pesquisa também aponta uma média de 5,6 dias de folga por mês. Ela também indica que 54,5% dos motoristas consideram suficiente o período de descanso interjornada previsto na Lei nº 13.103/2015. Entre aqueles que responderam qual seria o intervalo ideal, 69,3% apontaram um período entre seis e oito horas, com média de sete horas e 30 minutos.

 

Profissão enfrenta envelhecimento

Já a pesquisa da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), realizada entre 9 e 25 de janeiro de 2026 com 1.015 motoristas profissionais das cinco regiões do país, reforça o envelhecimento da categoria, com idade média de 45 anos. Além da predominância masculina (99,7%). O estudo também aponta que 43,6% dos entrevistados têm escolaridade até o ensino fundamental. 75% são casados e a remuneração média é de R$ 3.206 de salário-base e R$ 6.006 de salário líquido.

Entre os principais atrativos da profissão estão a renda competitiva 57%. O contato com diferentes regiões do país, culturas e paisagens também é um atrativio (35%). Além da liberdade para escolher onde comer e dormir durante as viagens (33%).

Ainda de acordo com a CNTTT, os principais fatores que afastam profissionais da atividade são o preconceito contra a categoria (70%). As baixas remunerações representam 58%. As condições adversas de trabalho estão em 51%. A insuficiência de políticas públicas efetivas representam 41%. Já a falta de perspectivas de crescimento estão em 38%. O levantamento mostra ainda que 93% dos motoristas realizam o descanso obrigatório diário em postos de combustíveis. Isso evidencia a importância dessas estruturas para o cumprimento da legislação.

Além disso, 58% preferem o fracionamento das 11 horas de descanso interjornada. Enquanto 81% afirmam preferir cumprir o descanso semanal remunerado em casa, ao final da viagem. Outros 84% relatam dificuldade média ou alta para encontrar locais adequados e seguros para cumprir o descanso diário.

 

Diversos fatores afastam profissionais da atividade

De acordo com o assessor jurídico, muitos desses obstáculos não estão relacionados apenas às empresas transportadoras. Filas para carga e descarga, restrições operacionais nos centros urbanos, e deficiência da infraestrutura rodoviária. Além de escassez de pontos de parada que contribuem para reduzir a produtividade e aumentar o desgaste dos profissionais.

Dutra tem novo ponto de parada e descanso para caminhoneiros

Para ele, discutir o futuro da logística passa necessariamente pela valorização do motorista profissional. “Sem profissionais qualificados, experientes e motivados, nenhuma cadeia logística consegue atingir elevados níveis de produtividade. Por essa razão, discutir o futuro do transporte rodoviário de cargas exige, necessariamente, discutir o futuro da profissão de motorista”, avaliou.

Na avaliação de Figueirôa, a solução depende da atuação conjunta de empresas, embarcadores, destinatários, concessionárias e entidades representativas. Além do poder público, para reduzir os tempos improdutivos das operações e melhorar as condições de trabalho dos profissionais. Entre as medidas defendidas por ele estão investimentos em infraestrutura, ampliação da rede de pontos de parada e descanso e redução do tempo de espera para carga e descarga. Como também programas de formação e qualificação profissional, incentivo ao ingresso de jovens e mulheres na atividade e aperfeiçoamento contínuo da legislação com base em evidências.

Para o assessor jurídico, as pesquisas nacionais e internacionais apontam para um diagnóstico comum sobre os desafios enfrentados pela profissão, o que pode servir de base para a construção de soluções compartilhadas. “Valorizar o motorista profissional significa investir na eficiência logística, na competitividade das empresas brasileiras e no fortalecimento da economia nacional”, pontuou.

 

Veja também: Nova portaria amplia pontos de parada para reforçar a Lei do Descanso

Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Inscreva-se nos nossos informativos

Você pode gostar
posts relacionados