A Federação das Empresas de Transporte de Cargas de São Paulo (FETCESP) está promovendo encontros com candidatos ao Governo de São Paulo e à Presidência da República. Nas últimas semanas, o Pé na Estrada acompanhou os encontros com os candidatos Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, e Fernando Haddad (PT).
Embora estejam em lados opostos, os candidatos compartilham uma proposta para São Paulo: ampliar a participação da iniciativa privada na administração das rodovias por meio de concessões. O governo atual é conhecido pela forte agenda de privatizações, concessões e parcerias público-privadas (PPPs) e pretende manter essa estratégia em um eventual próximo mandato.
O transporte de cargas no Brasil depende 65% do modal rodoviário, segundo a Confederação Nacional do Transporte (CNT). A entidade também mostra que as rodovias administradas pelo poder público apresentam, em muitos casos, condições ruins ou péssimas.
Nesse cenário, as concessões rodoviárias têm se mostrado uma alternativa para garantir manutenção e melhorias nas vias. O modelo, inclusive, já era adotado antes do atual governo de São Paulo.
Apesar de parte dos usuários ser contrária ao pagamento de pedágio, a expectativa é que órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), fiscalizem e modernizem os contratos de concessão para garantir que as condições das rodovias sejam compatíveis com as tarifas cobradas.
São Paulo reúne diversos desafios no transporte de cargas
A FETCESP apresenta aos candidatos os principais desafios enfrentados pelos transportadores em São Paulo. Entre os temas estão investimentos em infraestrutura e rodovias, segurança jurídica, ambiente regulatório, política tributária, renovação de frota, transição energética, formação de motoristas profissionais, segurança pública e combate ao roubo de cargas.
No caso das rodovias, o candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas, pretende concluir neste ano as obras do Rodoanel Mário Covas (SP-021). O Pé na Estrada acompanhou a segunda etapa da obra, em julho, quando a execução havia atingido 70%.
O anel viário é aguardado principalmente pelo transporte rodoviário, já que a expectativa é retirar cerca de 15 mil veículos por dia das marginais Tietê e Pinheiros e de outras vias urbanas da capital. A conclusão do trecho norte também deve redirecionar caminhões e carretas que atualmente atravessam áreas densamente urbanizadas.
Transportadores aguardam conclusão do Rodoanel Mário Covas
Haddad, por sua vez, propõe mudar o Ceagesp de local e integrá-lo ao Rodoanel. Na avaliação do candidato, a conclusão do anel viário também deve contribuir para o planejamento dos Centros de Distribuição, direcionando essas estruturas para locais adequados e evitando gargalos no trânsito da capital paulista.
Em relação às rodovias, Haddad também comentou sobre a regulamentação do Free Flow. “Ninguém pode ser contra uma tecnologia nova, mas não pode beneficiar só a concessionária”, afirmou, ao se referir à dificuldade de adaptação dos usuários ao novo sistema.
O candidato também respondeu a uma pergunta sobre o acesso ao Porto de Santos e a possibilidade de uma alternativa por Parelheiros. Haddad afirmou que o melhor projeto é a construção de uma terceira pista para o acesso à Baixada Santista. Outro empreendimento que pode ajudar a reduzir esse gargalo, segundo o candidato, é o Túnel Santos-Guarujá.
Haddad também criticou a proposta de privatização da Autoridade Portuária de Santos, defendida por outros candidatos. Para ele, a medida seria um erro, assim como ocorreu, em sua avaliação, com a privatização do Aeroporto Campo de Marte e da área destinada ao futuro Parque Municipal Campo de Marte, em 2023.
Segundo o candidato, essa privatização provocou impactos urbanísticos e ampliou as restrições de altura para novas construções em um raio maior no entorno do aeródromo, além de gerar impactos nas marginais.
Segurança pública também preocupa o transporte de cargas
A segurança pública é uma das questões mais destacadas pela FETCESP nos encontros com os candidatos, principalmente em relação ao roubo de cargas no estado.
Segundo o relatório “Report nstech de Roubo de Cargas”, elaborado pela nstech, o problema apresentou crescimento na comparação com o ano anterior.
As cargas diversas ou fracionadas continuaram no topo da sinistralidade e lideraram o ranking nacional, com 36,6% dos prejuízos. O índice representa alta de 4,1 pontos percentuais em relação aos 32,5% registrados no primeiro semestre de 2025. Segundo o levantamento, o resultado está relacionado à alta atratividade de transportar múltiplas mercadorias em uma única viagem.
Os candidatos propõem reforçar a segurança e aumentar as penas para os crimes relacionados ao roubo de cargas. Haddad também sugeriu o uso de inteligência artificial para auxiliar na elucidação dos crimes.
No primeiro encontro promovido pela FETCESP, o candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), também destacou a segurança pública em seu discurso. Veja aqui o que o candidato propõe para o governo federal, caso seja eleito.
Veja também: Frota com caminhões de mais de 25 anos acompanha alta de 4,7% nos acidentes no Brasil

Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.