quinta-feira, setembro 24, 2026

BNDES aprova R$ 180,7 milhões para novas plantas de biometano em SP e ES

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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 180,7 milhões em financiamentos para a implantação de duas plantas de biometano em Mauá, na Grande São Paulo, e Vila Velha, no Espírito Santo. As unidades somam investimentos de R$ 245 milhões e terão capacidade conjunta de 97 mil metros cúbicos normais (Nm³) por dia.

O crédito do banco corresponde a 73,8% do valor previsto para os empreendimentos. Os recursos serão concedidos por meio do Fundo Clima e da linha BNDES Finem. As taxas, os prazos e a distribuição dos recursos entre as duas modalidades não foram informados.

A maior parcela, de R$ 101,9 milhões, será destinada à GNR Mauá, cuja planta terá capacidade para produzir 65 mil Nm³ por dia. Outros R$ 78,8 milhões financiarão a unidade da GNR Vila Velha, projetada para produzir 32 mil Nm³ diários.

Se operassem durante todo o ano na capacidade máxima, as duas plantas poderiam produzir aproximadamente 35,4 milhões de Nm³ de biometano. A entrada em operação comercial está prevista para o primeiro semestre de 2027.

O Grupo Lara, que atua na gestão de resíduos, e a MDC Energia, especializada em gás natural e biometano, constituíram as empresas responsáveis pelos projetos por meio de uma parceria.

 

Biometano a partir de resíduos urbanos

O Grupo Lara produzirá biometano a partir do biogás gerado pela decomposição de resíduos sólidos urbanos em seus aterros. O material passará por um processo de purificação para retirar dióxido de carbono e outras impurezas.

O resultado é um combustível renovável que, desde que atenda às especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), pode substituir o gás natural de origem fóssil em aplicações industriais, comerciais e veiculares.

A Ultragaz comercializará a produção das duas unidades por meio de contratos de longo prazo. O BNDES não divulgou o prazo e o valor desses contratos nem informou como dividirá o volume entre os diferentes mercados consumidores.

O banco também não apresentou uma estimativa para a redução de emissões proporcionada pelas novas unidades.

 

Avanço no transporte de cargas

A ampliação da oferta de biometano pode favorecer o uso do combustível no transporte rodoviário de cargas, principalmente em operações de alta quilometragem e com abastecimento concentrado. A adoção, contudo, ainda ocorre em escala reduzida no Brasil.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) aponta que algumas montadoras já oferecem veículos pesados aptos a utilizar gás natural ou biometano. As aplicações permanecem concentradas em projetos pontuais, sobretudo no setor agrícola e, em especial, na indústria sucroenergética.

Entre os movimentos recentes está o financiamento de R$ 140 milhões aprovado pelo BNDES para a TransJordano implantar um corredor de abastecimento e operar caminhões a biometano em São Paulo. O projeto busca integrar produção, infraestrutura e demanda, três fatores necessários para ampliar o uso do combustível no transporte pesado.

O custo dos veículos, o preço do combustível e a disponibilidade de pontos de abastecimento ainda limitam a expansão. Estudo da EPE mostra que a competitividade dos caminhões a gás varia conforme a intensidade de uso, as condições de financiamento e os preços regionais dos energéticos.

 

Nova fase da produção nacional

A capacidade autorizada de produção de biometano no Brasil cresceu 43,7% em 2025, segundo a ANP. O aproveitamento de resíduos urbanos, agroindustriais e da atividade pecuária, além da busca por alternativas de menor emissão para a indústria e o transporte pesado, impulsiona esse movimento.

O avanço da produção, no entanto, exigirá infraestrutura para levar o combustível até os consumidores. Além de injetar o biometano nas redes de gás, as empresas podem comprimi-lo e transportá-lo por caminhões para regiões não atendidas por gasodutos. A viabilidade dessa logística depende da escala do projeto, da distância percorrida e do custo de distribuição, segundo a EPE.

As plantas de Mauá e Vila Velha reforçarão a oferta potencial do combustível a partir de 2027. Porém, a Ultragaz ainda não informou se destinará o biometano contratado especificamente ao transporte de cargas.

Fonte: Agência Transporte Moderno

 

Veja também: Ônibus a biometano, elétricos e novas tecnologias marcam a LAT.Bus 2026

Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

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