quarta-feira, julho 17, 2024

8 Maiores rodovias do Brasil: Conheça cada uma delas

O Brasil tem um território bastante extenso. E para cortarmos o mapa de ponta a ponta, temos mais 1,7 milhão de quilômetros de vias. Dessas, as mais longas são as BRs, que são rodovias federais que atravessam os estados. Dentre as muitas BRs, algumas são incrivelmente longas, maiores que muitos países europeus, por exemplo. Ficou curioso para saber quais são? Então embarque conosco pelas 8 maiores rodovias do Brasil e conheça mais de cada uma delas.

Quais são as maiores rodovias do Brasil?

Uma característica comum entre as maiores rodovias do Brasil é que todas praticamente “cortam” o país de um extremo ao outro, sendo a grande maioria começando na Região Norte ou Nordeste e terminando em cidades do Rio Grande do Sul. Entretanto, as condições de rodagem variam muito entre uma e outra. 

Enquanto quem roda na BR-116 entre as cidades de Rio de Janeiro e São Paulo encontra uma rodovia em ótimas condições, quem vai de Santarém para Miritituba, no Pará, na BR-163, encontra buracos, atoleiros e muita dor de cabeça. 

Outra questão é a extensão exata de cada rodovia. Os números são bastante desencontrados. Isso porque muitas vezes o que está no papel não foi construído na prática, ou porque outros contadores só levam em consideração trechos dessas vias. Então, bora embarcar na nossa boleia e saber mais sobre cada uma delas?

8° BR-174 (Mato Grosso – Roraima)

Extensão: 3.089 Km

Estados: Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Roraima.

Começo: Cáceres (MT)

Final: Pacaraima (RR)

A BR-174 tem uma extensão de mais de 3 mil quilômetros, atravessando quatro estados do país, sendo três deles na região Norte (Rondônia, Amazonas e Roraima) e um no Centro-Oeste (Mato Grosso).

A rodovia tem início em Cáceres, no Mato Grosso, e termina em Pacaraima, no estado de Roraima, já próximo à fronteira da Venezuela, continuando depois como Rota 10 em solo venezuelano, até a capital desse país, Caracas.

Enquanto na América Central, ao rodar 3 mil quilômetros você pode sair da Colômbia, passar por outros 5 países e chegar ao México, pela BR-174 você atravessa apenas 4 estados do Brasil. Mas tem muita coisa para ver nesse trajeto. 

A rodovia é asfaltada e boa, no geral, mas sempre de mão-dupla, o que requer mais atenção do motorista.

Onde fazer uma parada 

Como essa rodovia fica fora das grandes rotas do país, se passar por lá, não deixe de fazer uma parada em Presidente Figueiredo. A cidade é turística, mas pouquíssimo explorada, então ainda tem muita beleza inexplorada. São muitas cachoeiras, algumas praticamente na beira da rodovia, e locais bonitos para amantes da natureza. 

Onde ficar atento

Mais a frente de Presidente Figueiredo, ainda no Amazonas, mas sentido Boa Vista/RR, você encontra a reserva indígena Waimiri-Atroari. Ali você deve evitar rodar entre às 18h e às 6h da manhã. Isso porque como é uma reserva indígena, os habitantes locais podem fechar a via nesses horários, que eles usam para caça. 

7° BR-158 (Pará – Rio Grande do Sul)

7° BR-158 (Pará - Rio Grande do Sul)

Extensão: 3.470 Km

Estados: Pará, Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul.

Começo: Redenção (PA)

Final: Santana do Livramento (RS)

Com extensão de 3.470 quilômetros, a BR-158, passa por sete estados brasileiros no sentido Norte-Sul. Uma curiosidade: a via não corta nenhuma capital. Ela foi criada exatamente para ser uma ligação de municípios do interior.

Ela tem início em Redenção, no Pará, e o fim em Santana do Livramento, já em solo gaúcho, na fronteira com o Uruguai. Na fronteira, é possível seguir pela Ruta 5 uruguaia e seguir até Montevidéu, capital do país.

É uma rota importante para o escoamento da soja e outros grãos produzidos no Mato Grosso. 

Onde fazer uma parada 

Quem estiver passando pela BR-158 na rota do grão, pelo estado do Mato Grosso, pode fazer uma parada em Barra do Garças. Lá você encontra cachoeiras paradisíacas, paisagens lindas e já um pouco de estrutura para turistas. 

Onde ficar atento 

Uma faixa grande de atenção é um trecho de mais de 300 quilômetros entre o Mato Grosso e o Pará, como no Vale do Araguaia/MT. O problema ali é que são centenas de quilômetros de estrada de chão, ou seja, não pavimentada. Sendo assim, não existe sinalização, divisão de faixas, indicação de onde é seguro fazer ultrapassagens. Tudo isso torna a viagem mais perigosa. Evite cruzar o trecho de noite e tenha sempre atenção extra em locais sem sinalização. 

6° BR-153 (Pará – Rio Grande do Sul)

6° BR-153 (Pará - Rio Grande do Sul)

Extensão: 3.605 Km

Estados: Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Começo: Marabá (PA)

Final: Aceguá (RS)

A BR-153, também conhecida como Transbrasiliana, corta o interior do país. Com 3.605 quilômetros, a via passa por oito estados no sentido Norte-Sul, tendo início no Pará, na cidade de Marabá, e terminando em Aceguá, no Rio Grande do Sul. 

Ao longo de seu trajeto é chamada por diferentes nomes, como Rodovia Belém-Brasília, além da já citada Transbrasiliana. 

O bom dessa rodovia é que é praticamente toda pavimentada e ainda com trechos duplicados, o que torna a viagem mais segura.

Onde fazer uma parada 

Essa rodovia passa por tantos trechos bonitos e turísticos, que é difícil citar apenas um. Alguns são muito populares, como Caldas Novas e Rio Quente no Goiás. Já outros são menos divulgados, como o Monumento Natural das Árvores Fossilizadas, na cidade de Filadélfia/TO. Lá, você encontra a mais completa floresta fossilizada do mundo, é como fazer uma viagem para um passado de mais de 250 milhões de anos. 

Onde ficar atento

Embora esteja ganhando duplicação em alguns pontos, existe um ponto que nem asfalto tem na BR-153, que é entre Erechim e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Ali a BR mais parece uma estradinha de sítio, por isso, o ideal é não circular a noite pela falta de sinalização. 

5° BR-163 – (Pará – Rio Grande do Sul)

5° BR-163 - (Pará - Rio Grande do Sul)

Extensão: 4.057 Km

Estados: Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Começo: Santarém (PA)

Final: Tenente Portela (RS)

O principal corredor logístico para o escoamento de grãos e outras plantações do Centro-Oeste brasileiro, a BR-163 tem extensão de 4.057 km e corta seis estados do país (Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) passando por três regiões (Norte, Centro-Oeste e Sul).

Entretanto, embora seja uma rota tão importante, tem trechos muito desafiadores para os estradeiros. O Pé Na Estrada já passou, ou melhor, atolou, em alguns pontos intransitáveis da rodovia dentro do estado do Pará. Clique aqui e confira.

Onde fazer uma parada

Se estiver com tempo, do lado de Santarém você encontra o distrito Alter do Chão. O diferencial ali é a praia, que além de linda, é de águas doces, pois é formada pelo Rio Tapajós. Já no outro extremo, no Rio Grande do Sul, você encontra o Parque Estadual do Turvo, no município de Derrubadas. O parque também tem vistas lindas, mas não pode ser visitado de terças e quartas. 

Onde ficar atento

Como é um dos corredores mais importantes da soja, o tráfego de caminhões é intenso entre Rondonópolis/MT e o Porto de Miritituba/PA. O trecho até ganhou algumas melhorias no asfalto nos últimos anos, mas ainda é bastante precário e registra muitos acidentes da época de safra. Por isso, paciência e cuidado são as chaves para rodar por ali com segurança.

4° BR-230 (Amazonas – Paraíba)

4° BR-230 (Amazonas - Paraíba)

Extensão: 4.309 Km

Estados: Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará e Paraíba.

Começo: Lábrea (AM)

Final: Cabedelo (PB)

Com 4.309 Km de extensão, a BR-230 aparece na quarta colocação da nossa lista. Conhecida também como Rodovia Transamazônica, ela corta as regiões Norte e Nordeste, passando por sete estados (Amazonas, Pará, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará e Paraíba).

Historicamente, diversos trechos da Transamazônica são conhecidos pela falta de pavimentação, o que causa muitos percalços aos condutores que normalmente utilizam as vias, principalmente nas épocas de chuva na região norte, devido aos inúmeros casos de atolamentos causados pelos lamaçais. Isso mesmo, essa sendo a principal ligação leste/ oeste do Brasil.

Curiosidade

Reparou que todas as BRs anteriores começavam com 1? Isso é porque o 1 indica rodovias que cruzam o Brasil de Norte a Sul. Já o 2 indica vias que vão de leste a oeste. 

Onde fazer uma parada 

Em uma rodovia longa como essa, existem muitos locais bons para conhecer. Entretanto, um bem diferente e que poucos conhecem é a cidade de Sousa, na Paraíba. Essa cidade é conhecida como a Terra dos Dinossauros, devido aos muitos fósseis encontrados na região. Então, se quiser fazer uma viagem de mais de 60 milhões de anos, passe por lá e conheça os sítios arqueológicos.

Onde ficar atento

Como a via passa por diversas reservas, ela não tem pavimento em muitos trechos. Esses trechos ficam muito mais perigosos durante a noite, pela falta de sinalização e pela possibilidade de animais cruzando a pista. Sendo assim, o ideal é evitar trafegar sem luz do Sol. 

3° BR-364 (Acre – São Paulo)

3° BR-364 (Acre - São Paulo)

Extensão: 4.309 Km

Estados: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

Começo: Mâncio Lima (AC)

Final: Cordeirópolis (SP)

Já no pódio das maiores rodovias do Brasil, temos a BR-364. O trecho conta com 4.309 Km de extensão e corta seis estados (Acre, Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo) passando por três regiões do país.

A via, assim como a Transamazônica, também possui problemas por conta da falta de asfalto em alguns trechos na região Norte, que com a chegada das chuvas se torna praticamente intransitável.

Onde fazer uma parada

Todo o trecho que passa por Rondônia tem regiões bonitas, cruzamento com rios e pontos que valem fotos. Outro ponto muito bonito é a Serra da Petrovina, no Mato Grosso, mas o que tem de bonito, tem potencial perigoso. O Pé na Estrada também já passou por ali para mostrar tanto a beleza, quanto os cuidados para rodar pela região.

Outro ponto para fazer uma parada é o Museu da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, em Porto Velho/RO, que foi reinaugurado em maio de 2024. 

Onde ficar atento

Quem entra pelo Goiás e passa por Alto Araguaia, a Serra da Petrovina que já falamos e todo o trecho até a Serra de São Vicente, no caminho entre Rondonópolis e Cuiabá, no Mato Grosso, vai encontrar trechos de muitas serras com pedras. O perigo ali é nas chuvas, pois pode haver desmoronamentos. 

Uma dica é: nunca passe durante a noite em um trecho desse se estiver chovendo. Isso porque de noite você não vai conseguir ver se há sinais de desmoronamento. 

2° BR-101 (Rio Grande do Norte – Rio Grande do Sul)

2° BR-101 (Rio Grande do Norte - Rio Grande do Sul)

Extensão: 4.482 Km

Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Começo: Touros (RN)

Final: São José do Norte (RS)

Muita gente fica na dúvida, qual a maior BR, a 101 ou a 116? A segunda maior do país, a BR-101 conta com 4.482 Km de extensão e rasga o mapa indo de um Rio Grande a outro. Doze estados brasileiros são cortados pela rodovia (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte).

A via também é conhecida por passar em cidades importantes para o turismo e por cortar quase toda a costa brasileira.

Onde fazer uma parada

Pense em uma rodovia cheia de trecho bonito. Exatamente por cortar o litoral, ela tem paisagens de tirar o fôlego. Ainda assim, alguns pontos são especialmente lindos. No trecho conhecido como Rio-Santos, que liga as duas cidades, entre RJ e SP, a via passa por trechos altos, de onde é possível ver o mar. No norte da Bahia a via também é cercada por coqueiros, o que torna o trajeto ainda mais deslumbrante.

Onde ficar atento

O trajeto pelo litoral é bonito, mas também é perigoso. Isso porque a rodovia é sinuosa e estreita em diversos trechos. Em muitos locais a velocidade máxima permitida não passa de 40km/h. E é preciso obedecer a essa sinalização, pois os diversos trechos da BR-101 pelo Brasil registram altos índices de acidentes.

1° BR-116 (Ceará – Rio Grande do Sul)

1° BR-116 (Ceará - Rio Grande do Sul)

Extensão: 4.660 Km

Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará.

Começo: Fortaleza (CE)

Final: Jaguarão (RS)

A maior rodovia do país é a BR-116. Com 4.660 Km de extensão, ela vai do Rio Grande do Sul ao Ceará. Ao todo, a via passa por dez estados do país (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará) em três regiões diferentes (Sul, Sudeste e Nordeste).

Com uma extensão dessa, dava pra cortar a Europa toda, cruzando mais de 10 países. Só que aqui você roda tudo isso e continua falando sua língua e usando seu dinheiro. Nada mal…

Além de ser a maior rodovia do Brasil, ela ainda liga várias das cidades mais importantes do nosso país, como São Paulo e Rio de Janeiro. Aliás, o trecho entre essas duas cidades é conhecido como Rodovia Presidente Dutra. Já o trecho de liga São Paulo a Curitiba é famoso por ser a Rodovia Régis Bittencourt, que já foi a rodovia da morte, mas hoje está bem mais segura por conta da duplicação. 

Já quem roda mais ao norte, pela famosa Rio-Bahia, encontra uma situação bem diferente. Em uma matéria de fevereiro de 2022, publicada aqui no Pé Na Estrada, mostramos uma reclamação de um condutor que trafegava pela rodovia a trabalho e convivia diariamente com dificuldades como buracos nas pistas e falta de sinalização. Clique aqui e veja o relato do estradeiro.

Onde fazer uma parada

Sendo desse tamanho todo, logicamente existem muitos pontos a serem descobertos, mas pra quem gosta de compras, a divisa com o Uruguai, na cidade de Jaguarão/RS, é um bom destino. O local é um grande shopping a céu aberto que atrai muitas pessoas pelos preços baixos. 

O trecho que passa por Florianópolis, Balneário Camboriú e grande parte do litoral catarinense também é muito bonito e vale o passeio. 

Onde ficar atento

A rodovia tem trechos bem pesados de serra no Rio Grande do Sul. Como a pista é íngreme, veículos pesados podem sofrer. Além disso, as faixas estreitas tornam o trânsito mais perigoso. 

Outro trecho perigoso, mais aí por conta da violência, é o Ibó, na divisa entre Bahia e Pernambuco. O policiamento ali é raríssimo. Nossa equipe já chegou a rodar mais de 300km na região sem ver uma única viatura ou posto. Esse trajeto fez, inclusive, parte do livro da repórter Paula Toco (veja aqui). A maioria dos motoristas evita rodar a noite e, mesmo de dia, são muitos os relatos de assaltos na área. 

E a BR-381?

Uma rodovia não citada entre as maiores, mas que é muito importante para o país, é a BR-381, também conhecida como Fernão Dias. Na verdade, Fernão Dias é apenas o trecho que liga São Paulo a Belo Horizonte. Já a BR-381 continua para o norte de Minas Gerais, passa por Governador Valadares, entra no Espírito Santo e termina na cidade de São Mateus. A questão é que, quando entra no ES, ela foi estadualizada, então seu prefixo passa a ser ES-381. 

Um grande problema do trecho são os buracos que, historicamente, são motivos de reclamações dos estradeiros. Clique abaixo e confira uma matéria especial que foi ao ar em outubro de 2023, onde condutores se queixam desse e de outros percalços encontrados na rodovia.

Buracos na Fernão Dias

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Conclusão

Como foi visto ao longo do texto, todas as oito rodovias passam por pontos fundamentais para o agronegócio, turismo e economia do país. Com vias tão importantes para o crescimento do país, manter os trechos em boas condições de rodagem, oferecendo a melhor estrutura aos estradeiros, com postos e pontos de paradas dignos, é fundamental para viagens mais seguras e tranquilas.

Com rodovias em boas condições, também é possível ter melhores viagens e com menos prejuízos aos condutores que vivem cortando o país do Oiapoque ao Chuí.

Gostou dessa viagem? Então mande esta matéria para seus colegas do trecho.

Por Daniel Santana

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