Impulsionado pelos recursos do Move Brasil 2, que estão próximos de se esgotar, o mercado de veículos pesados registrou crescimento de 7,16% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado. Apesar da reação, o acumulado de 2026 ainda permanece negativo. Ao todo, foram vendidas 11.192 unidades no mês passado, contra 10.444 em julho de 2025.
Segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o desempenho foi impulsionado pelos recursos disponibilizados nas duas etapas do programa Move Brasil.
“No caso de caminhões, ônibus e implementos rodoviários, o Programa Move Brasil estancou a queda que vínhamos observando, e os emplacamentos que estão por vir, derivados dos pedidos já realizados, podem melhorar ainda mais os números, reduzindo a queda mais acentuada que esperávamos para esses segmentos”, analisa Arcelio Junior, presidente da Fenabrave.
O programa voltado à renovação da frota de pesados (caminhões, ônibus e implementos rodoviários) já somava R$ 19,9 bilhões em financiamentos aprovados pelo BNDES até o fim de julho, distribuídos em pouco mais de 19 mil operações.
O volume se aproxima dos R$ 21,2 bilhões disponibilizados para a linha de crédito, indicando forte demanda por financiamentos destinados à modernização do transporte de cargas e passageiros.
“O avanço das aprovações mostra que há necessidade real de renovação da frota. O desafio, agora, é transformar esse volume aprovado em emplacamentos, com agilidade na liberação dos recursos e previsibilidade para transportadores, operadores e empresas”, comenta Arcelio Junior.
Vendas de caminhões reagem em julho, mas acumulado do ano segue negativo
O mercado de caminhões reagiu em julho, porém o acumulado do ano ainda registra queda de 6,68%. Entre janeiro e julho, foram emplacados 59.215 caminhões, contra 63.453 no mesmo período de 2025.
“A recuperação é resultado, principalmente, do Programa Move Brasil, etapas 1 e 2. Por ser um segmento ligado ao PIB, ao desenvolvimento industrial e ao agronegócio, o transportador avalia cuidadosamente o mercado antes de comprar e acaba renovando sua frota quando enxerga demanda, capacidade de pagamento e segurança para assumir um financiamento de longo prazo”, afirma Arcelio Junior.
Setor de ônibus ainda enfrenta dificuldade para se recuperar
O segmento de ônibus continua apresentando maior dificuldade de recuperação. Em julho, os emplacamentos recuaram 2,32% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram licenciadas 2.691 unidades, frente às 2.755 registradas em julho de 2025.
No acumulado do ano, a retração chega a 7,04%. Até julho, o mercado emplacou 15.682 ônibus, ante 16.870 no mesmo período do ano anterior.
Segundo a Fenabrave, o segmento é o que mais demora a reagir entre os veículos pesados, em razão da ausência de programas governamentais durante boa parte do ano.
“No início do ano, o segmento chegou a registrar retração de quase 25% em relação a 2025. A diferença caiu de forma gradual e consistente a partir do segundo bimestre, com a implantação da segunda fase do Move Brasil, que incluiu R$ 2 bilhões em crédito para financiar ônibus”, analisa o presidente da Federação.
Renovação da frota impulsiona vendas de implementos
O segmento de implementos rodoviários foi o que apresentou o melhor desempenho entre os pesados em julho. Beneficiado pelos incentivos do Move Brasil, registrou crescimento de 26,87% em relação ao mesmo mês de 2025. Foram emplacadas 7.956 unidades, contra 6.271 em julho do ano passado.
Apesar da forte alta no mês, o acumulado do ano ainda apresenta retração de 3,85%. Entre janeiro e julho, o segmento registrou 40.492 unidades vendidas, frente às 42.112 do mesmo período de 2025.
“Os implementos rodoviários, desde a implantação da segunda etapa do Move Brasil, receberam incentivo para renovação da frota, com taxas menores e prazos mais longos para pagamento, estimulando empresários do transporte, tanto empresas quanto autônomos. Vale ressaltar que esse segmento viveu seu pico de vendas em 2021 e acumula quedas desde então”, afirma Arcelio Junior.
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Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.