sexta-feira, agosto 21, 2026

Caminhoneiro precisa diferenciar seguros obrigatórios de proteção do caminhão

LegislaçãoCaminhoneiro precisa diferenciar seguros obrigatórios de proteção do caminhão

A entrada em vigor da verificação dos seguros obrigatórios vinculada ao Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) trouxe uma nova etapa de adequação para caminhoneiros autônomos, transportadoras e cooperativas. Desde 1º de julho de 2026, seguradoras e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passaram a verificar as informações das apólices de forma integrada, tornando a regularidade das coberturas uma condição para manter o registro.

A mudança também gerou dúvidas entre os caminhoneiros, principalmente pela confusão entre os seguros obrigatórios relacionados à operação de transporte e a proteção do próprio caminhão.

 

Seguros levou a um aumento de registros na ANTT

Segundo o Anuário TRC 2025 da ANTT, havia 1.049.805 transportadores cadastrados no RNTRC em dezembro de 2025, considerando registros ativos, pendentes e suspensos. A média anual de transportadores cadastrados em 2025 chegou a 980.108, número 9,52% superior à média registrada em 2024.

A nova sistemática exige que os Transportadores Rodoviários Remunerados de Cargas mantenham três modalidades de seguro: o RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga), relacionado a danos causados às mercadorias durante o transporte; o RC-DC (Responsabilidade Civil por Desaparecimento de Carga), que contempla situações como roubo e furto da carga; e o RC-V (Responsabilidade Civil de Veículo), destinado à cobertura de danos materiais e corporais causados a terceiros pelo veículo utilizado na operação.

 

Caminhão parado gera perda de receita

Embora representem um avanço na organização e na gestão de responsabilidades do transporte rodoviário de cargas, essas três modalidades não têm como finalidade principal proteger o caminhão pertencente ao próprio transportador.

Na prática, isso significa que um transportador pode estar completamente regular perante a ANTT e, ainda assim, permanecer exposto a prejuízos relacionados ao próprio veículo. Roubo, furto, colisão, incêndio ou perda total podem comprometer diretamente a capacidade de operação e, consequentemente, a geração de renda.

Para quem trabalha com transporte, porém, o impacto financeiro de uma ocorrência não termina necessariamente no reparo ou na substituição do veículo. Um caminhão parado pode representar, simultaneamente, perda de receita, manutenção do pagamento das parcelas de financiamento, necessidade de contratação emergencial de outro veículo e dificuldade para cumprir compromissos assumidos com clientes.

“O caminhão funciona simultaneamente como patrimônio e ferramenta de trabalho. Quando ele deixa de operar, o transportador pode perder não apenas um bem, mas a própria capacidade de gerar renda. Por isso, a proteção do veículo precisa ser analisada como uma medida de continuidade financeira e não apenas como uma despesa adicional”, afirma Alberto Andrade, superintendente da APVS Truck, associação de proteção patrimonial especializada em veículos pesados.

 

Seguro obrigatório da operação não é seguro para o caminhão

A empresa orienta que o planejamento siga duas frentes. De um lado, cumprir as exigências necessárias para manter o RNTRC regular; de outro, preservar o caminhão e a capacidade produtiva do negócio.

É importante destacar que os três seguros obrigatórios exigidos para a operação de transporte não devem ser confundidos com uma cobertura destinada ao próprio caminhão. A exigência está relacionada às responsabilidades decorrentes da atividade de transporte. Além disso, cada participante deve observar a exigência conforme a forma como realiza a operação e as responsabilidades que assume.

Por isso, o transportador que é proprietário do próprio caminhão pode avaliar a contratação de uma cobertura específica para o veículo. Como um seguro de casco, ou outras modalidades de proteção patrimonial disponíveis no mercado. Essa alternativa pode ser especialmente relevante diante do alto valor dos veículos pesados e dos prejuízos que a paralisação de um caminhão pode provocar.

A Transposeg é um exemplo de entidade que oferece proteção para caminhões, com coberturas para situações como roubo, furto e colisão.

Veja também: Seguros obrigatórios são de responsabilidade da transportadora, e não do autônomo. Entenda

Filha de caminhoneiro, formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.

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