Além da transição energética, que já bate à porta do setor de transportes, o diesel — principal combustível utilizado no transporte rodoviário de cargas — pode se tornar mais caro e até escasso no futuro. Esse foi um dos fatores que levaram o Grupo Potencial, uma das maiores empresas do setor de agroenergia do país, a ampliar sua frota sustentável com a aquisição de 31 caminhões Volvo FH B100 Flex.
A empresa já contava com 12 veículos capazes de operar com 100% de biodiesel e pretende alcançar a marca de 50 unidades desse modelo até o fim do ano.
Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, vice-presidente do Grupo Potencial, a recente tensão no Estreito de Ormuz reforçou essa estratégia. O corredor marítimo concentra uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo, e eventuais interrupções podem impactar a oferta e elevar os preços dos combustíveis fósseis. Na avaliação do executivo, esse cenário tende a tornar o diesel cada vez mais caro e menos disponível.
Do campo ao tanque
O Grupo Potencial produz biodiesel, etanol de milho, glicerina refinada, biogás e atua também no setor de logística. A empresa possui um complexo industrial integrado na cidade da Lapa (PR), que reúne operações de esmagamento de soja e produção de biodiesel (B100).
O lema “Do campo ao tanque” representa a proposta de economia circular da companhia, que produz o biocombustível e também o utiliza em sua própria operação.
Até 2030, o complexo deverá ter capacidade para produzir 1,7 bilhão de litros de biodiesel. Como também 500 milhões de litros de óleo degomado, 1 bilhão de litros de etanol e 9 milhões de metros cúbicos de biogás. O processamento total projetado é de 4,7 milhões de toneladas anuais de soja e milho.
Com investimentos superiores a R$ 6 bilhões até 2030, a empresa pretende se tornar a maior indústria de biodiesel em planta única do mundo. Entre os empreendimentos mais recentes estão uma nova esmagadora de soja e a segunda planta de glicerina refinada.
Atualmente, o complexo produz cerca de 900 milhões de litros de biodiesel por ano. Embora aproximadamente 80% da produção tenha origem vegetal, os outros 20% utilizam matérias-primas de origem animal. Apostando em uma transição energética considerada irreversível, a companhia também amplia a produção de biocombustíveis com a fabricação de biometano.
Do B15 ao B100: Volvo aposta no Flex
De olho na Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel em um ponto percentual por ano, até atingir 20% em 2030, a Volvo desenvolveu um caminhão capaz de operar com combustíveis que variam do B15 ao B100.
O modelo pode rodar exclusivamente com biodiesel e reduzir em até 90% as emissões de CO₂. Além de oferecer mais flexibilidade ao transportador diante do aumento gradual da participação do biodiesel no diesel comercializado no país.
Mantendo o desempenho característico da linha FH para operações de transporte pesado, os caminhões adquiridos pelo Grupo Potencial serão utilizados no transporte de soja e farelo em implementos basculantes. Além da distribuição de combustíveis por meio de carretas-tanque.
Os veículos atuarão principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, corredores logísticos estratégicos para as operações da empresa. Segundo a Volvo, a utilização em diferentes perfis de rota comprova a eficiência e a viabilidade do biodiesel em larga escala no transporte pesado. Juntos, os 31 caminhões devem evitar a emissão de mais de 3 mil toneladas de CO₂ por ano.
Adquiridos com recursos próprios do Grupo Potencial, sem financiamento do programa Move Brasil, os caminhões foram produzidos sob encomenda, já que a Volvo não mantém esse modelo em estoque. Com essa entrega, a montadora alcança a marca de 300 unidades do FH B100 Flex comercializadas.
Classificados como NEVs (New Energy Vehicles), os Volvo FH B100 Flex utilizam uma tecnologia exclusiva que permite o abastecimento tanto com biodiesel puro quanto com diesel convencional disponível nos postos. Além de contribuir para a redução das emissões de CO₂ do poço à roda, o modelo reúne os principais recursos tecnológicos da nova geração da linha FH. O que inclui o sistema I-Torque, que gerencia de forma inteligente o torque do motor para otimizar o consumo de combustível.

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Filha de caminhoneiro, recém-formada em jornalismo, resolveu usar a comunicação para manter a classe bem informada e, com isso, formar novas gerações de motoristas profissionais cada vez melhores para o futuro do país.