quarta-feira, julho 17, 2024

Volvo apresenta balanço positivo de vendas de caminhões em 2022, mas projeta redução para 2023

Ontem (17), a Volvo Caminhões e Ônibus reuniu jornalistas para apresentar os resultados do ano passado e as perspectivas para o próximo ano. A empresa trouxe um balanço positivo sobre as vendas de caminhões e ônibus em 2022, apesar dos desafios com a falta de componentes no mercado. Com isso, projetou também um cenário de redução nas vendas dos pesados para 2023. 

Balanço nas vendas de caminhões 2022

Em 2022, a Volvo vendeu, no mundo, 473 milhões de caminhões, algo que a empresa enxerga como positivo, tendo em vista o cenário critico causado pela pandemia por Covid-19 e a guerra entre Rússia e Ucrânia, que impactaram no fornecimento de semicondutores globalmente.

Segundo a montadora, no ano passado, o número de licenciamentos aumentou na América-latina, com um recorde de 31 mil caminhões acima de 16 toneladas produzidos e entregues. Com isso, a Volvo afirmou que 23% de suas vendas nesse segmento acontecem nos países da América do Sul (Brasil, Peru, Argentina e Chile).

Foram 26 mil caminhões da marca vendidos no Brasil, sendo 24 mil emplacados, que representaram, segundo a empresa, um aumento de 10% nas vendas em relação ao ano anterior. De acordo com a Volvo, esse volume se deve, em parte, ao aumento na comercialização dos semipesados da linha VM.

A empresa também registrou aumento de 46% nas vendas dos caminhões vocacionados, 21% na comercialização de peças remanufaturadas e 27% em planos de serviço. “A cada 10 caminhões, oito saíram com algum plano de serviço”, comentou Alcides Cavalcanti, diretor executivo da Volvo caminhões. 

Sobre o aluguel de caminhões, serviço que começou em novembro do ano passado, a empresa já alcançou 200 contratos.

Projeções para o mercado de caminhões em 2023

Para 2023, a Volvo projeta uma queda de 23% nas vendas de caminhões acima de 16 toneladas,  alcançando apenas 75 mil unidades, segundo Wilson Lirmann, presidente do Grupo na América-Latina.

De acordo com o representante, é preferível manter a cautela sobre o futuro das vendas da marca, já que o mercado de caminhões dependerá de vários fatores, como o volume do PIB (Produto Interno Bruto), a inflação, taxas de juros e cadeia de distribuição de componentes.

A Anfavea já havia prospectado, no início do ano, a redução em 20,4% na produção dos pesados e 11% da venda desses caminhões para 2023, que justificou também pelo maior preço dos veículos em EURO 6.

A Volvo relatou que os veículos na nova normativa custam cerca de 25% a mais que os EURO 5, mas que tentará repassar o mínimo possível desse custo para o consumidor. Com relação aos demais aspectos que podem influenciar nas vendas, a empresa pretende equilibrar com estratégias comerciais. Uma delas é focar na demanda de caminhões para agro e mineração, pois essas áreas têm uma perspectiva de bater recorde em 2023 no Brasil.

Volvo apresenta balanço positivo de vendas de caminhões em 2022, mas projeta redução para 2023
Foto: Divulgação Volvo

Automação e eletrificação

Há alguns anos a Volvo apresentou caminhões semiautônomos para acompanhar colheitadeiras. Agora, a marca explica que essa tecnologia não alcançou escala desejada por falta de demanda, uma vez que o mercado sofreu mudanças de tamanho de bitola e outros fatores que inviabilizaram a tecnologia.

Com isso, a empresa tem investido no desenvolvimento de veículos movidos por controle remoto e já possui parcerias para avançar no setor de mineração, para uso de descondicionamento de barragens. 

Durante a coletiva, a marca abordou ainda a eletrificação, citando inclusive a apresentação de seu FH na Fenatran, sem data para comercialização no Brasil. Além disso, comentou sobre o uso dos elétricos e os testes na Europa com outras energias como HVO e gás natural. A meta da empresa é reduzir em 50% os níveis de emissões de CO2 em 2030, e em 100% em 2040.

Já em 2050, alcançar zero emissão, uma vez que os caminhões produzidos até 2040 sairiam do mercado até 2050. Tudo isso, vale ressaltar, na Europa, onde os pesados costumam durar apenas 10 anos.

A Volvo incluiu o Brasil nessas metas, mas não estipulou prazo ou detalhou como esse processo ocorrerá. Por hora, relatou que para avançar nas energias alternativas e eletrificação são necessários investimentos em infraestrutura nacionalmente. 

Outras perspectivas para o Brasil

A empresa tem metas mais ambiciosas em relação aos produtos e serviços. Uma dela é ampliar a comercialização por meio dos serviços digitais, que mostra sucesso desde 2017. Segundo a Volvo, hoje, 30% das vendas de caminhões para novos clientes são por essa via. 

A marca ainda citou o Programa Volvo de Segurança no Trânsito, que completa 35 anos. Como parte desse projeto, a Volvo tem acompanhado 10 empresas de transporte parceiras que focam no comportamento dos motoristas para redução de acidentes. Esse ano, a meta é buscar a certificação do ISO 39.001, de Gestão da Segurança Viária

Mercado de ônibus 

Com relação ao transporte de pessoas, a Volvo comemorou o aumento de 94% no volume de vendas de ônibus da marca na América-Latina e a recuperação do mercado no setor rodoviário e urbano.

De acordo com a empresa, Brasil e Chile representam 34% de volume de vendas desse segmento da Volvo. A empresa citou que os 566 ônibus em EURO 6 destinados à cidade de Santiago foram fabricados e encarroçados no Brasil.

Especificamente no Brasil, 658 veículos foram emplacados para comercialização em 2022. Um crescimento de 79% em comparação com 2021, sendo que no segmento rodoviário, segundo a empresa, houve um aumento de 220% nas vendas.

Este ano, a Volvo pretende crescer ainda mais no transporte rodoviário, com a linha de ônibus em EURO 6, e o ônibus urbano 100% elétrico BZL, movido à bateria, lançado na Lat.Bus de 2022.

O BZL será apresentado para empresas de transporte em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro. Segundo a Volvo, São Paulo pode ser uma oportunidade de impulsionar seu elétrico, isso por conta da determinação da prefeitura de renovação de veículos do transporte coletivo somente com ônibus movidos à bateria. 

Por Jacqueline Maria da Silva. 

 

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